Lula vendeu o Brasil…
Não sou petista e não concordo com muita coisa que fez o metalúrgico nordestino presidente, mas tenho de reconhecer que além das novelas, da música e do futebol, ninguém vendeu tão bem o Brasil quanto o seu Luiz Inácio nos últimos 8 anos. Nos quatros cantos do mundo o presidente mascate incorporou o espírito nordestino camelô de ser e vendeu para tudo e para todos o Brasil e suas coisas: de aço à biodiesel, de café à metanol, de suco de laranja às asas da EMBRAER.
Foram muitas viagens. Umas estranhas, outras até aceitáveis, mas todas contestáveis. Ao viajar pelos países da América Central e do Sul entre os anos de 2005 e 2006, senti “in loco” a admiração que os povos daqueles países têm pelo futebol, o carnaval do Brasil e pelo presidente. Constatei nas ruas, lojas e “autodoors” dos vários países a quantidade de produtos brasileiros expostos e rodando pelas ruas como é o caso dos ônibus fabricados pela Marcopolo que rodam em grande quantidade pelas ruas do México, Panamá, Costa Rica, Equador, Colômbia e Venezuela. Só a título de curiosidade: em San José na Costa Rica, os nossos ônibus urbanos pintados nas cores vermelha e amarela são batizados de “busetas heredianas “. Nos super mercados da Guatemala, El Salvador, Nicarágua e Honduras é grande a quantidade de produtos brasileiros, inclusive a nossa Brahma ou melhor de vocês bebedores de cerveja.
Em El Salvador ela foi rebatizada de Brava, mas nos outros países é Brahma mesmo. Nossos ônibus urbanos articulados para os paulistas são chamados de “ligeirinhos”, pelos curitibanos pioneiros na ideia e uso dos mesmos, circulam nas grandes capitais com as tarjas verde e amarela “made in Brazil”. Mediante tudo isso e baseado no que li e ouvi nos países latinos hermanos da língua de Cervantes, concluo que o Lula vendeu bem o Brasil no bom sentido.
Na cidade do Panamá, do Porto de Balboa no pacífico ao Porto de Colon no atlântico, num trajeto de 100 km, aproximadamente 61 milhas, é grande o número de “autodoors” anunciando os produtos “made in Brasil” e o consumo é grande por parte de todos. Nos países andinos a febre de consumo pelos produtos brasileiros é grande e crescente desde Guayaquil até Caracas só da Brasil. O presidente mascate viageiro tem seu mérito em todo este processo de mercantilização de nossas coisas mundo afora. Quando tio Sam criou barreiras contra boa parte de nossos produtos, ele saiu mundo afora aos gritos de: “Made in Brasil bom e barato quem vai querer?” E muita gente quis e está querendo. Nossos produtos estão em várias partes do planeta, da tenda de um beduíno ao deli chic dos Champs Elysees em Paris à Quinta Avenida em Manhattan.Mesmo não sendo petista, não gostando de muitas de suas atitudes temos que admitir e propagar a quem interessar possa, que o moço de Garanhuns, mesmo com erros de português que muitos criticam, tem vendido com maestria nossos produtos, fruto da capacidade profissional da mão de obra verde e amarela, gerando riquezas para a nação e respeito pelos profissionais brasileiros, pois é o pau de arara da terra dos altos coqueiros que a trancos e barrancos está fazendo a máquina girar e nossos produtos inundarem prateleiras e vitrines mundo afora. Diante disso só nos resta dizer mesmo entre os dentes: obrigado seu Lula.
quarta-feira, 16 de setembro de 2009
sexta-feira, 11 de setembro de 2009
O dia em que a terra quase parou: 11 de setembro de 2001
Era um dia ensolarado de uma terça-feira qualquer. A vida nesta parte do país, como em outras partes do mundo, seguia seu curso como um rio que serpenteia a caminho do mar. Cada um de nós naquela manhã de sol se preparava ou dava seguimento aos afazeres cotidianos. Os rapazes da construção a bordo de suas Vans carregadas de escadas e ferramentas cortavam as estradas a caminho de suas obras, cujo trabalho lhes fariam amealhar uns punhados de dólares para a realização dos sonhos de consumo e vida melhor. As senhoras diaristas com seus aspiradores, baldes e toda parafernália dedetizadora seguiam em direção às casas e apartamentos, que afinal de árduas horas de trabalho ficariam cheirosos e reluzentes para receberem seus proprietários no retorno a “home sweet home”. Cozinheiras e garçons se preparavam para ganhar o pão de cada dia vendendo e servido o tradicional arroz com feijão nos restaurantes espalhados nacomunidade e em várias partes do mundo. Eis que ao ligar a televisão me deparo com uma cena digna das produções de George Lucas e Steven Spielberg: as Torres Gêmeas, o famoso World Trade Center fora vítima de um atentado covarde e traiçoeiro. Tresloucados fanáticos em nome de uma causa espalharam o pânico e o terror sobre nossas vidas e da imensa nação norte americana. A bordo de aviões lotados de vidas inocentes foram usados como mísseis contra os alvos símbolos do poder econômico, político e militar desta terra que nos acolheu como a segunda pátria em nossa peregrinação em busca do Eldorado. Desde aquela terça-feira, 11 de setembro de 2001, tudo mudou. Foi o divisor de águas na história recente da humanidade. O mundo deixou de ser o mesmo a vida e as pessoas mudaram seus horizontes. A partir deste fatídico e covarde ataque tudo ficou diferente. As perdas materiais foram recuperáveis, mas os milhares de inocentes que tiveram suas vidas interrompidas. As famílias que ficaram marcadas pela perda de seus entes queridos, estas feridas jamais serão cicatrizadas. Nossas vidas ficaram marcadas pela falta de tudo e todos que foram atingidos naquela manhã. Tudo mudou. Todos nós mudamos. Queira Deus que fato semelhante jamais ocorra novamente. Que a paz se torne realidade na terra de alguns homens com boa vontade. Que os fanáticos, sejam eles esportistas ou religiosos, sejam conscientizados de que Jesus mudou a humanidade pelo exemplo de semear amor, fé, união, fé e compaixão entre os seres do mundo. Passados 8 anos do dia em que a terra quase parou, onde todos correram para seus lares em busca de abrigo e carinho e de dar proteção aos seus. Só nos resta agradecer ao Criador e rogar ao nosso Pai Todo Poderoso que derrame sobre todos nós as suas bênçãos, dando discernimento aos míseros pobres e violentos mortais. Que as milhares de vidas ceifadas naquela manhã em consequência daquele ato tenham paz onde quer que estejam. Que nós, que aqui ainda estamos, sejamos pacientes e benevolentes com os nossos irmãos, os chamados seres humanos. Que realmente reine a paz entre os homens de má e de boa vontade. Que a crucificação de Jesus não tenha sido em vão. Que atos de irracionalidade e atitudes tresloucadas como as de 11 de setembro de 2001 nunca volte a se repetir. Que parem de matar em nome de Deus, Jeová ou Alá.
quinta-feira, 10 de setembro de 2009
Solidão é prima das horas e irmã do tempo
Texto publicado edicao de 9 de setembro do B.Press.
Solidão é prima das horas e irmã do tempo
É caro o preço que pagamos na busca da independência, do sonho ou pesadelo americano, europeu, asiático, seja lá qual for, estejamos onde estivermos na busca do vil metal. Muitos deixaram tudo e todos para trás na busca por dias e coisas melhores. Mas afinal que coisas são estas? Nós os auto-exilados que saímos na busca do Eldorado em várias partes, pagamos um preço muito alto nesta busca. A saudade que corrói, a exploração dos pretensos empresários, outrora explorados, hoje exploradores, numa terra onde o salário mínimo é $7,25 dólares, muitos pagam $5,00, $3,33 dólares por hora e ainda querem que os pobres e miseráveis imigrantes lhes agradeçam a esmola que teimam em chamar de salário. É grande a nau dos explorados, seus tripulantes exploradores que exigem serem tratados de empresários, esquecem que um dia já estiveram remando nos porões desta nau que navega neste mar de injustiça, ganância e desigualdade.
Tudo isso leva ao sofrimento da moça simples e humilde que deixou seu lar, carinho e aconchego do pai e da mãe e hoje em terras estrangeiras sonha com dias melhores, aliás este sonho a tirou do seio materno. Hoje a moça faceira vive e sofre à espera da realização de um sonho, o sonho de Cinderela que em muitos casos se acabam à meia-noite de uma madrugada qualquer. O moço do interior e da periferia sonhou que um dia voltaria com os bolsos cheios para rever os que para trás deixou. Trabalharia feito um mouro na busca e na acumulação de tesouros, horas a fio, dias infinitos, verão de sol causticante, inverno entediante, mas de uma coisa ele tinha certeza: “Minha vida nunca mais será como antes”. Muitos conseguiram, outros estão tentando. O tempo passando. “No próximo verão eu voltarei”. Muitos verões já passaram. Muitos virão e os jovens sonhadores aqui estão à espera da grande realização. Vem o tempo, a solidão, a tristeza, a saudade das coisas simples que lá deixou e aqueles que dizem: “Estados Unidos nunca mais”. O sonho, o fracasso, a realização, a angústia. Nossos irmãos imigrantes brasileiros sonhadores, um povo lutador que tudo faz, se dedica, luta e derrama o suor misturado com o amor à vida. O povo da terra tropical, das montanhas e vales acredita, assim como o poeta, que “tudo realmente vale à pena se a alma não é pequena”, e nossa alma brasileira é grande como o universo.
Temos um coração do tamanho do mundo e como o de mãe sempre cabe mais um. Somos solidários, amigos, amantes, tristes e hilários. Somos um povo de fé, de raça e amor às coisas do criador. Vibramos com a vitória, a chuva que cai, o romper do sol numa praia deserta, o mar que nos acalenta. Somos os filhos sem rumo que saímos em busca de prumo, lutando por nós e por todos os que nós amamos e naquilo que acreditamos. Muitos estão sofrendo na solidão do tempo, no bater das horas, no passar dos dias e minutos, a espera da hora da volta de vermos nossa terra e os que deixamos para trás. Meu Deus abrevie o tempo! Nos dê acalento, pois esta triste solidão é prima das horas e irmã do tempo... Que o nosso tempo não tenha sido perdido! Tic-tac, tic-tac, tic-tac
Solidão é prima das horas e irmã do tempo
É caro o preço que pagamos na busca da independência, do sonho ou pesadelo americano, europeu, asiático, seja lá qual for, estejamos onde estivermos na busca do vil metal. Muitos deixaram tudo e todos para trás na busca por dias e coisas melhores. Mas afinal que coisas são estas? Nós os auto-exilados que saímos na busca do Eldorado em várias partes, pagamos um preço muito alto nesta busca. A saudade que corrói, a exploração dos pretensos empresários, outrora explorados, hoje exploradores, numa terra onde o salário mínimo é $7,25 dólares, muitos pagam $5,00, $3,33 dólares por hora e ainda querem que os pobres e miseráveis imigrantes lhes agradeçam a esmola que teimam em chamar de salário. É grande a nau dos explorados, seus tripulantes exploradores que exigem serem tratados de empresários, esquecem que um dia já estiveram remando nos porões desta nau que navega neste mar de injustiça, ganância e desigualdade.
Tudo isso leva ao sofrimento da moça simples e humilde que deixou seu lar, carinho e aconchego do pai e da mãe e hoje em terras estrangeiras sonha com dias melhores, aliás este sonho a tirou do seio materno. Hoje a moça faceira vive e sofre à espera da realização de um sonho, o sonho de Cinderela que em muitos casos se acabam à meia-noite de uma madrugada qualquer. O moço do interior e da periferia sonhou que um dia voltaria com os bolsos cheios para rever os que para trás deixou. Trabalharia feito um mouro na busca e na acumulação de tesouros, horas a fio, dias infinitos, verão de sol causticante, inverno entediante, mas de uma coisa ele tinha certeza: “Minha vida nunca mais será como antes”. Muitos conseguiram, outros estão tentando. O tempo passando. “No próximo verão eu voltarei”. Muitos verões já passaram. Muitos virão e os jovens sonhadores aqui estão à espera da grande realização. Vem o tempo, a solidão, a tristeza, a saudade das coisas simples que lá deixou e aqueles que dizem: “Estados Unidos nunca mais”. O sonho, o fracasso, a realização, a angústia. Nossos irmãos imigrantes brasileiros sonhadores, um povo lutador que tudo faz, se dedica, luta e derrama o suor misturado com o amor à vida. O povo da terra tropical, das montanhas e vales acredita, assim como o poeta, que “tudo realmente vale à pena se a alma não é pequena”, e nossa alma brasileira é grande como o universo.
Temos um coração do tamanho do mundo e como o de mãe sempre cabe mais um. Somos solidários, amigos, amantes, tristes e hilários. Somos um povo de fé, de raça e amor às coisas do criador. Vibramos com a vitória, a chuva que cai, o romper do sol numa praia deserta, o mar que nos acalenta. Somos os filhos sem rumo que saímos em busca de prumo, lutando por nós e por todos os que nós amamos e naquilo que acreditamos. Muitos estão sofrendo na solidão do tempo, no bater das horas, no passar dos dias e minutos, a espera da hora da volta de vermos nossa terra e os que deixamos para trás. Meu Deus abrevie o tempo! Nos dê acalento, pois esta triste solidão é prima das horas e irmã do tempo... Que o nosso tempo não tenha sido perdido! Tic-tac, tic-tac, tic-tac
Parabéns Brasil! Felicidades brasileiros!
Texto publicado edicao de 5 de setembro do B.Press.
Parabéns Brasil! Felicidades brasileiros!
Não importa de onde venhamos: da caatinga do nordeste, dos igarapés amazônicos, dos pampas do sul, das serras e vales das gerais, do planalto de Piratininga, do cerrado central ou das praias de norte a sul do país. Somos índios, negros, caboclos, mamelucos, cafuzos, brancos. Somos brasileiros. Temos orgulho da terra que nos viu nascer, a pátria amada mãe, (às vezes), gentil. Descoberta há mil, quinhentos e nove anos e batizada de Brasil. Não importa as mazelas sociais que assolam nossa nação, somos um povo guerreiro, altivos, carentes e cientes do poder de nossa gente. Gente brava, honesta e trabalhadora.
Brasil, 190 milhões de habitantes. És uma das mais fortes e prósperas economias mundial. Um parque industrial dos mais desenvolvidos. Pioneiros em várias frentes da ciência e da tecnologia. Um país gigante que caminha a passos largos em busca do lugar que lhe é de direito. Brasil, terra de contrastes. Um povo que carrega no peito o orgulho de ser brasileiro. Povo pacífico, preparado para servir quando solicitado. Um sorriso no rosto e os braços abertos para um fraternal abraço ao amigo e a todos que cruzam as sua fronteiras. Ser brasileiro é viver sem ter a vergonha de ser feliz. Ser livre como a brisa do mar. Quente como o sol de Ipanema numa manhã de verão. Terra de Jobim, Castro Alves, compositores, cantores de nível internacional. Terra de Gilberto Freire e de altos coqueiros. De Drummond nas Gerais. Das serras e dos vales. De João, de José, de Maria. Povo alegre e de muita fé, um contraste entre o sagrado e o profano. Terra do samba, do frevo e do maracatu, seja do baque solto, não importa ser do baque virado, todos os ritmos. Do trenzinho caipira, de Villa Lobos, do Guarani de Carlos Gomes.
Como é bom ouvir no cair da tarde, num dourado pôr do sol os acordes das bachianas. Na imensidão da Amazônia, o verde da bandeira e da esperança, num contraste com o azul das águas dos rios caudalosos e lentos que se espraiam inundando o que um dia foi a Terra de Vera Cruz. Terra onde em se plantando tudo dá. Terra onde todos podem sonhar que o amanhã será outro dia. Terra onde se pode comungar a fé sem constrangimento, seja qual for a religião. No Brasil todo povo é irmão. A festa do frevo e do maracatu. Dos santos juninos. Das Folias de Reis. Dos meninos e moleques dos rios São Francisco, doce Capibaribe, do Negro e do Solimões. Dos pampas do sul, aos igarapés do norte e aos mangues do nordeste. Terra de gaúcho macho e de cabra da peste. Brasil de mar e céu azuis. O branco da paz. O amarelo da riqueza do ouro e da prosperidade para o homem do campo ou da cidade.
Te desejamos Ó Pátria amada mãe, (que nem sempre é), gentil, nestes 187 anos de tua independência, rogamos ao criador felicidade e prosperidade para o teu povo! Obrigado por nos ter deixado nascer no teu ventre! Dentre todas as pátrias, nós te amamos Brasil! Chegará o dia em que no teu seio pisaremos. Perdoa-nos por termos te deixado. O preço é alto: saudade imensurável. Saímos em busca da nossa independência, mas juntos celebraremos a tua com orgulho e amor e sempre te louvaremos nossa Pátria amada Brasil!
Parabéns Brasil! Felicidades brasileiros!
Não importa de onde venhamos: da caatinga do nordeste, dos igarapés amazônicos, dos pampas do sul, das serras e vales das gerais, do planalto de Piratininga, do cerrado central ou das praias de norte a sul do país. Somos índios, negros, caboclos, mamelucos, cafuzos, brancos. Somos brasileiros. Temos orgulho da terra que nos viu nascer, a pátria amada mãe, (às vezes), gentil. Descoberta há mil, quinhentos e nove anos e batizada de Brasil. Não importa as mazelas sociais que assolam nossa nação, somos um povo guerreiro, altivos, carentes e cientes do poder de nossa gente. Gente brava, honesta e trabalhadora.
Brasil, 190 milhões de habitantes. És uma das mais fortes e prósperas economias mundial. Um parque industrial dos mais desenvolvidos. Pioneiros em várias frentes da ciência e da tecnologia. Um país gigante que caminha a passos largos em busca do lugar que lhe é de direito. Brasil, terra de contrastes. Um povo que carrega no peito o orgulho de ser brasileiro. Povo pacífico, preparado para servir quando solicitado. Um sorriso no rosto e os braços abertos para um fraternal abraço ao amigo e a todos que cruzam as sua fronteiras. Ser brasileiro é viver sem ter a vergonha de ser feliz. Ser livre como a brisa do mar. Quente como o sol de Ipanema numa manhã de verão. Terra de Jobim, Castro Alves, compositores, cantores de nível internacional. Terra de Gilberto Freire e de altos coqueiros. De Drummond nas Gerais. Das serras e dos vales. De João, de José, de Maria. Povo alegre e de muita fé, um contraste entre o sagrado e o profano. Terra do samba, do frevo e do maracatu, seja do baque solto, não importa ser do baque virado, todos os ritmos. Do trenzinho caipira, de Villa Lobos, do Guarani de Carlos Gomes.
Como é bom ouvir no cair da tarde, num dourado pôr do sol os acordes das bachianas. Na imensidão da Amazônia, o verde da bandeira e da esperança, num contraste com o azul das águas dos rios caudalosos e lentos que se espraiam inundando o que um dia foi a Terra de Vera Cruz. Terra onde em se plantando tudo dá. Terra onde todos podem sonhar que o amanhã será outro dia. Terra onde se pode comungar a fé sem constrangimento, seja qual for a religião. No Brasil todo povo é irmão. A festa do frevo e do maracatu. Dos santos juninos. Das Folias de Reis. Dos meninos e moleques dos rios São Francisco, doce Capibaribe, do Negro e do Solimões. Dos pampas do sul, aos igarapés do norte e aos mangues do nordeste. Terra de gaúcho macho e de cabra da peste. Brasil de mar e céu azuis. O branco da paz. O amarelo da riqueza do ouro e da prosperidade para o homem do campo ou da cidade.
Te desejamos Ó Pátria amada mãe, (que nem sempre é), gentil, nestes 187 anos de tua independência, rogamos ao criador felicidade e prosperidade para o teu povo! Obrigado por nos ter deixado nascer no teu ventre! Dentre todas as pátrias, nós te amamos Brasil! Chegará o dia em que no teu seio pisaremos. Perdoa-nos por termos te deixado. O preço é alto: saudade imensurável. Saímos em busca da nossa independência, mas juntos celebraremos a tua com orgulho e amor e sempre te louvaremos nossa Pátria amada Brasil!
Do pó vieste a Minas retornaste
texto piblicado no B.PRess edicao de 2 de setembro de 2009
Do pó vieste a Minas retornaste
Tarde de quinta-feira, dia 27 de agosto. Correria na redação do jornal. Viagem marcada. Passagem na mão. Avião não espera e o voo era com escala na terra do Mr. Bush, aquele que complicou tudo nos últimos 8 anos.
De repente o telefone toca. Era o De do Brasília Grill: “Sampa, me ajuda pelo amor de Deus”. Por instantes cheguei a pensar que um certo comerciante da cidade tinha apertado o pescoço do De por causa daquela história. Bem, é passado, deixa para lá. Não estavam matando o De não. Aflita a irmã do falecido Mirim queria saber o que fizeram com os restos mortais do seu “querido” irmão. Aquele infeliz que foi encontrado morto semanas atrás na Jackson Street no Ironbound em Newark.
Como todos sabem, (acredito eu), nos últimos 23 anos já ajudamos aproximadamente 80 famílias que ficaram sem os seus entes queridos, que na busca do sonho americano se aventuraram mundo a fora na busca do Eldorado, mineiros, goianos, paranaenses e de outras regiões e estados do Brasil. Muitos não conseguiram realizar o sonho de fama e fortuna, tiveram suas vidas e sonhos interrompidos nesta longa e sinuosa estrada da vida e assim foi com Walmiro, o popular Mirim do Mall da Adams e de outras “cositas” confirmadas, outras nem tanto.
Deixemos isso de lado, é mais um que se foi de forma abrupta e no frigir dos ovos deixou a fatura do funeral para a comunidade como a grande maioria faz, tem feito e com certeza continuará fazendo. Todo mundo é rico e bacana, mas quando se vai não deixam “din-din”, seguro de vida e nem grana para as despesas e o povão solidário e amigo certo das horas incertas passa a sacola e as malditas e vergonhosas listas na ânsia de coletar míseros dólares para as despesas de mais um imigrante brasileiro que se vai.
Em muitos casos são levados num caixão ou como no caso do Mirim numa simples caixa, que tive que transportar até o maior terminal rodoviário do mundo, o Tietê, na capital paulista e fazer o despacho como uma simples encomenda no amarelo dourado da Itapemirim rumo ao Vale do Rio outrora menos poluído e Doce, a cidade natal de muitos que para cá vieram tentar a vida, fazer fama e fortuna.
Mais uma vez coube à este semi-alfabetizado escriba nordestino ser o portador da triste encomenda. Levar junto aos meus pertences o corpo inerte de um ser humano, um compatriota, que durante anos vi e cumprimentei nas artérias do nosso bairro e que agora transformado em cinzas seguiu comigo de volta à terra onde nasceu, crescer e correr nos campos e vales, olhando para o céu das Gerais de todos os mineiros, com um sonho na mente e no coração.Pois é amigos, a morte certa neste futuro incerto de todos nós vem sorrateira, abreviando a vida e os nossos sonhos. Sonhos de prosperidade e felicidade, sonhos de um povo simples, honesto e batalhador. A morte nossa de cada dia está sempre à espreita. A Bíblia diz: “Do pó vieste e ao pó retornarás”. Mirim, do pó vieste e a Minas retornaste. Que as bênçãos de Deus cubram teu espírito e acalante a tua alma. Nós brasileiros imigrantes aqui continuaremos sonhando e prontos para a próxima coleta, para a próxima vergonhosa lista, até que um dia tomem vergonha na cara e cada qual faça um seguro de vida, nos privando de tantos dissabores: os da morte e das coletas. Mas a fila anda. Next.
Do pó vieste a Minas retornaste
Tarde de quinta-feira, dia 27 de agosto. Correria na redação do jornal. Viagem marcada. Passagem na mão. Avião não espera e o voo era com escala na terra do Mr. Bush, aquele que complicou tudo nos últimos 8 anos.
De repente o telefone toca. Era o De do Brasília Grill: “Sampa, me ajuda pelo amor de Deus”. Por instantes cheguei a pensar que um certo comerciante da cidade tinha apertado o pescoço do De por causa daquela história. Bem, é passado, deixa para lá. Não estavam matando o De não. Aflita a irmã do falecido Mirim queria saber o que fizeram com os restos mortais do seu “querido” irmão. Aquele infeliz que foi encontrado morto semanas atrás na Jackson Street no Ironbound em Newark.
Como todos sabem, (acredito eu), nos últimos 23 anos já ajudamos aproximadamente 80 famílias que ficaram sem os seus entes queridos, que na busca do sonho americano se aventuraram mundo a fora na busca do Eldorado, mineiros, goianos, paranaenses e de outras regiões e estados do Brasil. Muitos não conseguiram realizar o sonho de fama e fortuna, tiveram suas vidas e sonhos interrompidos nesta longa e sinuosa estrada da vida e assim foi com Walmiro, o popular Mirim do Mall da Adams e de outras “cositas” confirmadas, outras nem tanto.
Deixemos isso de lado, é mais um que se foi de forma abrupta e no frigir dos ovos deixou a fatura do funeral para a comunidade como a grande maioria faz, tem feito e com certeza continuará fazendo. Todo mundo é rico e bacana, mas quando se vai não deixam “din-din”, seguro de vida e nem grana para as despesas e o povão solidário e amigo certo das horas incertas passa a sacola e as malditas e vergonhosas listas na ânsia de coletar míseros dólares para as despesas de mais um imigrante brasileiro que se vai.
Em muitos casos são levados num caixão ou como no caso do Mirim numa simples caixa, que tive que transportar até o maior terminal rodoviário do mundo, o Tietê, na capital paulista e fazer o despacho como uma simples encomenda no amarelo dourado da Itapemirim rumo ao Vale do Rio outrora menos poluído e Doce, a cidade natal de muitos que para cá vieram tentar a vida, fazer fama e fortuna.
Mais uma vez coube à este semi-alfabetizado escriba nordestino ser o portador da triste encomenda. Levar junto aos meus pertences o corpo inerte de um ser humano, um compatriota, que durante anos vi e cumprimentei nas artérias do nosso bairro e que agora transformado em cinzas seguiu comigo de volta à terra onde nasceu, crescer e correr nos campos e vales, olhando para o céu das Gerais de todos os mineiros, com um sonho na mente e no coração.Pois é amigos, a morte certa neste futuro incerto de todos nós vem sorrateira, abreviando a vida e os nossos sonhos. Sonhos de prosperidade e felicidade, sonhos de um povo simples, honesto e batalhador. A morte nossa de cada dia está sempre à espreita. A Bíblia diz: “Do pó vieste e ao pó retornarás”. Mirim, do pó vieste e a Minas retornaste. Que as bênçãos de Deus cubram teu espírito e acalante a tua alma. Nós brasileiros imigrantes aqui continuaremos sonhando e prontos para a próxima coleta, para a próxima vergonhosa lista, até que um dia tomem vergonha na cara e cada qual faça um seguro de vida, nos privando de tantos dissabores: os da morte e das coletas. Mas a fila anda. Next.
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