sábado, 26 de abril de 2008

MULHERES DA VIDA

Por FRANCISCO SAMPA

Tudo na vida, ou quase tudo, é mulher. Vive-se em função delas, nascemos através delas, matamos , mentimos, temos sucesso ou fracasso, tudo em função da mulher. Recapitulemos as coisas que são femininas no ciclo que chamamos de vida: A VIDA, A MORTE, A NATUREZA, A ALEGRIA, A TRISTEZA, A ÁGUA, A ATMOSFERA,A FOME, A BRISA, A DOR, A PAZ, A GUERRA, A VOLÚPIA, A SINCERIDADE,A DOENÇA, A SAÚDE,A SEDE, A SAUDADE, A FLOR,A IRA, A MALDADE,A GANÂNCIA, A AMBIÇÃO,A PLACENTA, A BOCA, A ORELHA, A VISÃO, A ALMA, A UNHA, A ÍRIS, A CANÇÃO, A MUSICA, A PAUTA, A VIOLA a que toca uma CANÇÃO. E, se for preciso, faz-se a GUERRA. Por aí seguem o rosário destes femininos, que são as mulheres do nosso dia-a-dia.
Todo homem já teve vários tipos de mulheres: a donzela, a meretriz, a casada, a solteira, a sincera, a falsa, a recatada, a perua, a meiga, a ranzinza, a amiga e a companheira. Mulheres que o cancioneiro popular homenageou em verso e prosa, elas são a razão da vida e do viver. São as nossas mães, irmãs,esposas e amigas, mulheres que fazem parte das nossas vidas e, desde a hora que damos o primeiro suspiro até o suspiro final, acompanham nossos passos. Dando-nos conselhos, aconchego, carinho e a mão amiga.
Há momentos na vida de um homem em que o sopro da vida vem de um simples olhar de uma mulher. Muitos de nós, homens imigrantes nesta terra de neves, parques e oportunidades, vivemos a solidão das ruas, da hora e do tempo. Encontramos então no semblante da mulher que ficou para trás, seja a mãe, a irmã ou mulher amada, a força para continuar lutando e na esperança que vai dar certo. No outro lado da linha, ao final de uma chamada telefônica, para o Brasil ou qualquer outro lugar do mundo, uma voz suave entoa um simples “eu te amo” ou um fervoroso “Deus te abençoe”. Este é o combustível com que muitos dos homens imigrantes abastecem a alma e o coração para mais uma semana de árdua e solitária labuta, em busca do vil metal que realizará o sonho material junto ao colo da mulher amada.
Pois é, a mulher nossa de cada dia chama-se vida, e ela não é fácil, a cada momento uma nova emoção, a cada dia uma barreira que foi vencida, a cada manhã uma meta a ser alcançada. Quis o criador do universo que nós, os homens, fôssemos rodeados de mulheres, vivermos em função delas e para elas. Quem sabe no dia que todas as mulheres do mundo se conscientizarem do poder e da força que lhes foi dada pelo Criador, este mundo governado por homens que vivem em função e para as mulheres possa ser mais humano, menos injusto, com menos rancor no coração dos seres humanos.
Uma coisa nos entristece ao lermos nos jornais a violência cometida contra elas. Na Espanha, país rico do velho mundo, até o dia 21 de novembro deste ano setenta mulheres foram assassinadas. Nos EUA, então, os índices são alarmantes. Já no Brasil os números são absurdos: no último dia 20, uma jovem de 18 anos teve sua vida ceifada, por aquele que se dizia ser o eterno namorado. No momento que você ler está lendo este artigo em alguma parte do mundo uma mulher está sendo violada nos seus direitos.
Diante de tudo isto, só me resta dizer: mulheres do mundo, unam-se! Vocês têm o poder de gerar uma vida e por nove meses carregar um ser em vosso ventre, qual homem por mais bonito, rico, e viril, pode realizar tal feito? Nunca se esqueçam do poder que Deus lhes deu e sejam felizes, afinal, o que seria de nós sem vocês, mulheres?

quinta-feira, 17 de abril de 2008

CUSPIRAM NO PRATO QUE COMERAM

FRANCISCO SAMPA


Jogaram no fundo poço do abandono 28 anos de história e tradição. Foi a esta conclusão que cheguei ao ler nos jornais Luso Americano, Brazilian Press e Brazilian Voice a notícia da não-realização dos festejos do dia de Portugal na cidade de Newark. Um fato a lamentar hoje e com certeza daqui a vários anos, pois não se joga no lixo um evento da grandeza do dia de Portugal. Evento este que trouxe para cidade pessoas do nível do excelentíssimo José Ramos Horta, Prêmio Nobel da Paz e presidente do Timor Lorasae (antigo Timor Leste), o excelentíssimo primeiro ministro de Portugal, o professor Doutor Cavaco Silva e outros dignatários de suma importância para a imensa nação lusófona.

Um dia todos sentirão falta e saudades daquelas tardes de domingos de junho, em que nossas crianças, vestidas com seus trajes típicos nas cores do glorioso Portugal e do desinibido Brasil, desfilavam pela principal artéria do nosso amado e importante bairro leste, o Ironbound. Ranchos folclóricos mostravam e preservavam a tradição do povo português em terras da América, um povo que construiu este bairro, transformou num grande centro sócio cultural, um oásis de progresso, civilidade, ambiente familiar e digo sem medo de errar ou ser piegas a salvação da cidade de Newark.

Pois é do Ironbound que ainda sai as boas noticias da cidade, cultura, culinária, religião, gente honesta e trabalhadora, povo sofrido com a alma calejada de saudade, que nas tardes de domingo empunhavam sua bandeira e cantavam "heróis do mar, nobre povo nação valente e imortal". Agora a este nobre povo lhes foi negado o direito de celebrar o dia máximo de sua gente e do maior escritor poeta da historia da humanidade que, quis o bom deus fosse português, Luis de Camões, autor da imortal obra Os Lusíadas.

Um quarto de século de uma boa história, que levou para os quatro cantos do mundo a historia do imigrante português nas terras do Tio Sam e suas realizações na cidade de Newark e adjacências. Um evento que gerava empregos e divisas nos mais variados segmentos comercias da cidade: hotelaria, comunicação social, gráficas, prestação de serviços e outros. Criado pelo patriotismo de um português de boa cepa, Sr. Bernardino Coutinho que com apoio da família e de poucos amigos que viram no evento a chance de elevar a Portugalidade e demonstrar o sentimento de patriotismo e amor por Portugal. As danças, os cantares, as cores e a gente portuguesa: alentejanos, algarvios, lisboetas, alfacinhas e tripeiros, mortiseiros, fadistas, cásticos e minhotos. Todos neste dia celebravam uma só coisa: a saudade e amor pela terra em que nasceram e certeza de que uma coisa ímpar não precisa de passaporte pra se ver que é português.

No Ironbound falta tudo para os nossos jovens: escolas áreas de lazer, campos de futebol e outras coisas mais. Uma das poucas chances de lazer que os nossos jovens e crianças tinham mesmo que uma vez por ano era o desfile do dia de Portugal e até isto já lhe tiraram também. Não teremos mais as bandas com seu garbo marcial desfilando pela Ferry, crianças de todas as nações com suas bandeiras a nos acenar com um sorriso angelical como a nos desejar felicidade, um momento ímpar em que todos nos esquecíamos da vida sofrida de imigrante.

Retribuíamos o aceno com um aplauso e um brilho no olhar difícil de transcrever, pois cada um se transportava para sua aldeia que ficou pra trás, para a freguesia que os viu nascer. No peito o coração pulsava de saudade em um bater marcado por um bumbo solitário, na cadencia do soldado e do estudante que desfilava sob um sol de verão. O coração do povo que vinha de longe enchia de alegria para ver, fazer e rever os amigos que aqui ficaram.

Pergunto a todos: Existe algum lugar nesta cidade onde um casal de americanos brancos e ricos, na casa dos seus 60 anos, possam caminhar de braços dados, após sair de um dos nossos restaurantes e observarem as montras (vitrines) e a gente a passar, as dez ou onze horas da noite em segurança? A resposta é: existe sim, e se chama Ironbound. Esta sensação de segurança se deve ao povo deste lugar e ao povo português, que aqui construiu e edificou uma comunidade ordeira e honesta, zelando pela segurança de seus visitantes.Afinal, nada é mais prazeroso do que visitar a casa de um português, e o Ironbound é a casa de todos nós.

Agora, o que recebemos em troca por parte das autoridades constituídas cá do burgo é a negativa em celebrarmos o dia de Camões, o dia de Portugal. Onde estão os ricos comerciantes que amealharam pequenas fortunas ao longo destes 28 anos com a comunidade portuguesa e com o dia de Portugal? Onde estão os donos das reluzentes limusines que ostentavam o poderio sócio econômico dos seus proprietários? Onde estão os poderosos construtores com seus caminhões lavados e prontos para desfilarem, mostrando o poderio financeiro dos mesmos? Onde estão os políticos que usaram o dia de Portugal como montras (vitrines), palanques onde se mostraram ao povo e ganharam cargos e poder público? Onde estão aqueles que neste dia saíam às ruas e gritavam com todo o ar dos pulmões e a toda força “eu sou português, pá!”?

Como cidadão brasileiro e um dos colaboradores do dia de Portugal nos últimos 21 anos, digo me processem, me matem , me prendam, me levem aos tribunais, mas não me calarei diante de tamanho descalabro, ao não permitirem a realização de tão importante evento de renome mundial, com 28 anos de historia e tradição. É com todo respeito que alguns dos senhores merecem, leiam e eu lhes direi pessoalmente: “Vocês cuspiram no prato que comeram”. Que a historia lhes faça a justiça, pois o tempo e o senhor de todas as causas.

quarta-feira, 16 de abril de 2008

FARINHA POUCA MEU PIRAO PRIMEIRO

FRANCISCO SAMPA

Lá pras bandas do meu Nordeste, do Cariri, do Bodocó, do Agreste à Zona da Mata, no meu glorioso Leão do Norte, esta frase é comum em todos os níveis da sociedade nordestina. Com a crise que estamos atravessando aqui nos E.U.A, ela se encaixa como uma luva. Nunca na história da emigração brasileira deste país a mão de obra brasileira foi tão explorada e desvalorizada como nos dias de hoje. Os primeiros que aqui aportaram se acham os senhores feudais da terra e com a desculpa da crise estao cada vez mais a explorar os recém-chegados com míseros salários de fome e em muitos casos sem nem sequer pagar a quantia combinada.
São donas de casa de limpeza que fogem sem pagar a diarista, os chamados construtores com suas camionetes reluzentes, que tem deixados nossos bons e trabalhadores carpinteiros a verem navios - ou como disse o poeta, a comerem o pó da estrada ou o pó da madeira que o diabo serrou. A exploração é tanta que dá pena dos explorados e vergonha dos exploradores, esquecendo-se os pseudos-senhores feudais, que quando aqui chegaram a realidade era outra. As pseudas madames, com suas vans e vassouras reluzentes, poderiam usar as mesmas para fazerem um vôo de rasante de reconhecimento sobre as suas consciências e honrarem os pagamentos com as mulheres recém-chegadas, que na luta pelo pão de cada dia , estão sendo exploradas e humilhadas por míseros dólares.
Ao fim da semana elas nem sequer vêem a cor dos mesmos, pois as madames, donas das tais companhias de limpeza simplesmente desaparecem num vôo magico nas vassouras atômicas rumo à cauda de um cometa chamado exploração. Pois é, como dizia dona Carmelita : "José, menino, em terra de estradeiro a gente anda é de cócoras". Aqui nos E.U.A a coisa tá ficando assim, aliás, não mudou muito nos últimos 20 anos, mas agora tá um salve-se quem puder da gota serena e a bixiga lixa da febre do rato. Tá faltando tudo, trabalho, consciência do povo, vergonha na cara de muita gente e respeito pela mão de obra alheia. Tá todo mundo querendo comer a sua porção de pirão antes que a farinha termine.
Meus bravos compatriotas, a farinha não vai terminar tão cedo. 2008 será um ano de transição, 2009, um ano de renovação e 2010 um ano de construção, estabilização e arrancada para uma nova era. Vamos apertar o cinto sermos solidários e dividir esse pirão em partes iguais, por que tudo passa e essa crise que ora bate a nossa porta para nós brasileiros não é um bicho de sete cabeças, afinal para quem driblou a inflação, os cruzados da vida e outros planos malucos da terra Brasilis, essa crise tá mais pra lagartixa que prá jacare.
Mas até ela passar, vamos ser solidários com os nossos trabalhadores, sejam homens ou mulheres, pois com certeza a farinha deste pirão não irá faltar na mesa do povo honrado e trabalhador. Não é hora de abandonar o barco, pois nos primórdios dos anos 90 a coisa também ficou feia, mas com o tempo se ajeitou e tudo voltou a seu lugar. É hora de calma e perseverança, com a certeza de que dias melhores virão, e quando eles chegarem, vamos estar preparados com a conciência tranqüila de que não exploramos nem fomos explorados.

UM NEGRO NA CASA BRANCA

FRANCISCO SAMPA

Há 41anos, era impossível imaginar o que vivemos nos dias de hoje. Estamos na eminência de termos, pela primeira vez na história, um negro à frente da presidência dos E.U.A. Na década de 60, eles lutavam para terem simplesmente o direito de sentarem da metade do ônibus para frente, ou simplesmente comprar um hambúrger no Mac Donald’s, freqüentar uma faculdade. Com muita luta, sangue e sacrificio, muitos tiveram suas vidas e seus sonhos ceifados em nome da incoerência e da discriminação que assolava este país.
O sonho do pastor negro da Georgia, Martin Luther King, está prestes a ter uma parte realizada, pois para os negros deste país será a maior conquista após a libertação dos escravos por Lincoln e a aprovação da lei de igualdades entres os homens desta terra de sonhos, neves, parques e oportunidades. Com a vitória esmagadora do Senador Barak Obama no estado da Carolina do Sul, uma nova era está prestes a começar. Caso ele venha ser o escolhido pelo partido para ser o candidato a presidência representando os democratas, será um feito historico para os negros deste país e do mundo.
Que a nomeação de Obama se consagre com a vitória nas urnas, pois a partir desta data, muita coisa mudará e o negro passará a ser visto de forma diferente. A vitória de Obama significará a queda da bastilha da discriminação, estúpida e incoerente, onde o homem é julgado pela cor da pele. Que a vitória de Barak Obama traga um alento para todos os oprimidos e discriminados do planeta, e aqui nos E.U.A os imigrantes possam sonhar com dias melhores.
Assím como os negros um dia sonharam em andar na parte da frente de um coletivo e entrar num Mac Donald’s pela porta da frente, nossos imigrantes carregam no ventre e no seio, sedento de liberdade, um sonho de legalização, um sonho de poder andar de cabeça erguida, entrar e sair em qualquer lugar e qualquer hora, sem medo de serem presos, humilhados e deportados.
A nação imigrante precisa que seus desejos sejam atendidos, pois como os negros foram escravos um dia, ela agora é escrava da legalização e da boa vontade dos políticos desta terra. nada poderá ser mas forte e simbólico que um negro presidente libertando uma nação de 12 milhões de almas que hoje vivem atormentadas por um simples bater na porta ao amanhecer, porque este simples toque pode significar a interrupção de sonho e o caminho da deportação.
2008 será um ano de tormentas, mas nós, da nação imigrante, sabemos que depois da tempestade sempre vem a bonança, quando ela chegar trará em seu seio a brisa da liberdade em forma de legalização. Nós precisamos e merecemos, afinal nem nenhum ser humano é ilegal aos olhos do criador. Obama presidente pode significar a legalização eminente de negros, hispânicos, brancos, asiáticos. Esperamos que todos tenham o sonho realizado de poder viver livre como águia, símbolo desta nação e terra de bravos, conforme diz o hino nacional. Que a força deste povo seja respeitada e valorizada, pois da forma como estão sobrevivendo, sob o medo e a incerteza não condiz com os ideais de liberdade e democracia. Queremos um negro na presidência para não termos um futuro negro, com opressão e deportação. “Liberdade, abre as asas sobre nós, na luta e na tempestade, que ouçamos tua voz.”

OBAMA NAS ALTURAS

FRANCISCO SAMPA

Está cada dia mais próxima a realização do sonho do negro descendente de imigrantes, fruto de uma união multirracial - pai negro e mãe branca - líder comunitário, e que atuou nos bairros pobres do estado de Illenois.

Estamos falando do jovem político Barak Obama, um jovem advogado, culto e bem preparado aluno, casado, bom pai de família e que a cada dia caminha a passos largos rumo à presidência dos Estados Unidos da América do Norte. Barak Obama surgiu no cenário político nacional e internacional como um furacão, com novas idéias e com um passado que jamais faria qualquer cientista político da atualidade prever o atual quadro que acompanhamos diariamente no noticiário deste país e de todo o mundo.

Obama representa a nova geração pós todas as guerras: Vietnam, guerra do golfo na década de 90 e atual guerra no Iraque. Ele representa a esperança de mudança, paz, progresso e estabilidade econômica para os dias tumultuados da atualidade, para nós, imigrantes que queremos mudança, ele é a única promessa viável de mudança nos últimos 28 anos, período em que esta nação esteve sob o mando de dois clãs: os BUSH e os CLINTON. Como já disse anteriormente no texto A dinastia da democracia ou a democracia da dinastia , indago mais uma vez: será que esta nação pode ficar por mais 4 ou talvez 8 anos sobre o controle de uma mesma família?

Afinal, como fica a democracia? E hora de abrirmos os olhos e pensarmos no futuro de nossos filhos e netos, nossas decisões de hoje terão muito peso no futuro e na vida das crianças e jovens daqui a 10 ou 20 anos.... Para os imigrantes que esperam uma chance de legalização, tenham certeza de uma coisa: esta chance não virá antes de 2010, pois em 2009 o novo presidente passará o ano colocando ordem na casa e depois disso com certeza o sol voltará a brilhar para a imensa nação dos sem-documentos que precisam trabalhar para viverem realizarem seus sonhos e sustentarem suas famílias aqui e em seus países de origem.

Baseado nestes fatos e no passado dos três possíveis candidatos a presidência, quem sabe este afro-descendente, como dizem os politicamente corretos, não será a luz no fim deste imenso túnel por onde atravessam mais de 12 milhões de almas à espera de uma lei. Que Obama nos tire das sombras e das trevas da ilegalidade deste imenso pesadelo que e viver ilegalmente, nesta terra de liberdade, sonhos e prosperidade em busca da legalidade e de um cartão verde, verde como a esperança e as matas, campos e florestas num ensolardo dia de verão. Que este verão chegue logo e o pássaro traga a boa-nova em seu bico, como quando após o dilúvio bíblico ele nos trouxe um sinal de terra firme. Que nós possamos também pisar firme nesta terra, de mãos estendidas e braços abertos para um futuro de paz, amor, trabalho e legalidade.

domingo, 13 de abril de 2008

O SAMBA DO AFRO-DESCENDENTE PSICOLOGICAMENTE DESIQUILIBRADO

FRANCISCO SAMPA


"Todo mundo é prisioneiro de sua própria experiência. Ninguém elimina preconceitos- Apenas os reconhece".Esta frase é do jornalista, correspondente de guerra, âncora da Rede CBS,respeitado como um dos mais notáveis jornalistas do século xx Ed Murrow. Dita por um cidadão estanudinense, tem um peso muito grande, afinal, no quesito preconceito eles dominam com maestria este assunto. Vivemos numa época de rótulos e marketing e do politicamente correto, coisas de uma era globalizada por dois extremos: os que estão por cima e os que estão por baixo. Os ricos dos E.U.A e do G 8 são iguais aos ricos do Brasil, da Nigéria, da Nicarágua e da Rússia.
Os pobres daqui são iguais aos pobres e miseráveis vítimas da seca do Nordeste, do Vale do Jequitinhonha e do tufão de Bangladesh, a diferença está no meio. O indivíduo pode subir para a classe dos ricos, onde todos querem estar, mas tem boas chances de cair para a classe dos pobres e miseráveis. Ainda mais em tempo de crise como a que estamos vivendo, afinal, a lei da gravidade atua em todos os campos e classes e na maioria das vezes o que balança cai.
Há alguns anos, o título desta opinião poderia ser simplesmente "O samba do crioulo doido", mais em tempos da novela “Duas Caras” e do politicamente correto, batizamos com o titulo acima. O preconceito está em todas as partes e classes, não é uma questão de nível cultural, já nasce com os seres humanos, sabem por quê? Se fosse uma questão de nível cultural e educacional, só pobre e analfabeto seriam preconceituosos. Nós, os brasileiros, por mais que digamos o contrario, estamos entre os mais preconceituosos do mundo, mas como bom cabrito não berra, morreremos negando. Negros e Nordestinos que vivem nas regiões Sul e Sudeste do país já viram ou ouviram algum comentário ou uma cena preconceituosa contra uma dessas pessoas.
Aqui nos E.U.A, contaminados por osmose, vira e mexe, ouve-se frases como “É coisa de hispano, tinha que ser de Valadares”. Ou então: “Eu sou mineiro, mas sou de Valadares, não tenho nada contra os pretos no Brasil, mas aqui...” “Só podia ser português...” “Sou paulista meu! Mas bah, tchê, eu sou neto de alemão... tenho descendência européia”.
Por trás de algum eufemismo escondido nestas frases está o preconceito. Depois da publicação do Código Genoma, está provado que a raça é uma só (a humana), não importa se a cor da pele é branca, amarela, vermelha ou negra; o que muda são apenas as características externas. Assim como os carros: muda as marcas, as cores, a potência, mas carro é carro em qualquer parte do planeta, novo ou velho. Mesmo assim, um percentual dos seres humanos é preconceituoso. Na década de 30, um certo homem que tinha esse pensamento, chamado Adolf, quis criar uma raça pura e pretendia dizimar todos os judeus e negros... Mas se deu mal. Segundo matéria publicada na revista Veja, salvo erro com uma capa toda negra, dizia que boa parte da população brasileira é racista e preconceituosa. Lá o preconceito é geral, não se restringe apenas à questões de raça. Com marca da roupa, salário, cabelo e outras cositas mais.
Uma das discriminações mais comuns, e que todos acham normal, é a frase cabelo "ruim". Cabelo é cabelo, tem características típicas de cada ser e da miscigenação entre eles, onde predominam fatores genéticos. Bom e ruim é questão de qualidade, guardamos o que bom é e o que é ruim jogamos fora.
No Brasil empregada doméstica que trabalha em prédio de rico, quando chega no trabalho entra pela porta dos fundos, elevador de serviço, mas quando saem para passear com o filho do bacana no caso das babás, o rebento que a acompanha é o salvo conduto para a babá usar saída e elevador social: é o upgrade sócio-elevativo.
Ser negro para boa parte das pessoas é sinônimo de ser descendente de escravos, mas é bom recordar que a maior escravidão vem desde os tempos dos romanos e seu grande império, muito antes da época de Cristo, os escravos eram brancos... A Bíblia e os filmes de época estao aí para comprovarem tal fato. A escravidão negra começou após os descobrimentos e não durou 300 anos. Cleópatra, a poderosa do Egito, tinha escravos na sua maioria brancos, assim como os imperadores e os senhores da Roma antiga. Um dos três reis magos era negro, Baltazar, se fosse nos dias de hoje o chamariamos de: “Vossa Alteza Afrodescendente Baltazar”. Pois bem aos, “Barretões” de plantão é bom que não se esqueçam: a raça e uma só (a humana ),mesmo que muitos pensem e creiam o contrário, inclusive a própria população negra brasileira não assume sua negritude e se auto denominam moreno claro, moreno jambo,cor do pecado,pessoas de cor, escurinho e outros eufemismo,quando seria muito mais fácil e simples dizer: “Eu sou negro”.
O Brasil está entre os três paises com a maior população de negros do mundo junto com os E.U.A e a Nigéria, mas mesmo assim precisamos de leis como a extinta Afonso Arinos, e outras atualizadas para que nossos negros, sejam respeitados nos seus direitos constitucionais, nas forças armadas brasileiras, a titulo de ilustração, no generalato não existia até pouco tempo um negro ou afro descendente com a patente de General,Brigadeiro ou Almirante.
Neste mês de novembro no Brasil, precisamente no dia 20, no Brasil é celebrado o mês da consciência negra, mês em que o líder Negro Zumbi dos Palmares junto com os seus pares foi dizimado pelo bandeirante Português Domingos Jorge Velho, que após um ano viajando a pé de São Paulo até Alagoas e numa sangrenta carnificina, acabou com a vida do fundador do quilombo e interrompeu por alguns anos o sonho de liberdade dos negros escravos, liberdade que foi criada para todos os seres humanos ou não.
Liberdade não é estar livre e solto nas ruas, e prisão não é esta atrás das grades. A liberdade esta na mente e no coração dos seres, você que tem seu corpo preso neste país, por falta de um green card, solte sua imaginação e voe para o lugar dos seus sonhos... Viu como é fácil seu corpo está preso aqui... Mas sua mente é livre, e falando em consciência... Que papo é este de consciência negra? Consciência tem cor? Se tem a minha é diferente, e assim como a água, insípida, inodora e incolor. Na Bahia tem grupos de afoxé que só podem ser freqüentados por negros, isso não é racismo ao contrário? ou preconceito inverso?
Pois é... Cada vez mais eu fico atônito com esses rótulos impostos pelos marqueteiros de plantão. Estou à beira de ataque sei lá do que, antes eu era criolo, depois virei negão, já me chamaram até de escurinho nestes 50 anos de vida, 35 dos quais com essa cabeleira branca... São tantos os nomes que já estou em dúvida de todas as nomenclaturas que me rodeiam e com medo de ser politicamente incorreto. Segundo a oposição e um conterrâneo da minha querida Recife, eu sou mais grosso que papel de embrulhar prego. Portanto, até o fim da novela, eu e todos os brothers exigimos ser tratados de
"Afrodescendentes".
Ah, e só para lembrar: eu avisei, este texto é um autentico Samba do Criolo Doido, Ops, AFRO-DESCENDENTE.

O CADAVER QUE FALTAVA

Francisco Sampa



Esta frase foi dita no ano bissexto de 1968, no antigo estado da Guanabara, nos primórdios da revolução de 64, ano do AI-5 e outras coisas que aconteceram em todo o Brasil no decorrer daquele ano, principalmente no trecho Rio-São Paulo. Um jovem migrante de uma pequena cidade do interior do Estado do Rio de Janeiro, cheio de sonhos como tantos outros da sua faixa etária e classe social, mudou-se para a cidade grande em busca de cultura e de uma vida melhor. Sobrevivia graças a alimentação barata do Calabouço e era obrigado a recorrer a pequenos expedientes, como fazer limpeza do restaurante. Assim era a vida de Edson Luis, um jovem migrante sonhador que acabou virando Mártir, nos anos da revolução, morto por um tiro de um revolver calibre 38, que saiu da arma do aspirante da Policia Militar Aloísio Raposo. A bala atingiu o coração do jovem deixando seu corpo prostrado no chão, e apenas um silêncio servindo de amém.
1968 foi o ano da glória do compositor Geraldo Vandré e o ano da miséria do cidadão Geraldo Pedroso de Araújo Dias Vandregisilio, o ano em que não se pode falar de flores, em que muitos morreram pela pátria e viveram sem razão, soldados armados ou não trucidaram um ideal de amor pela pátria. E os generais no poder ditaram as ordens do dia, dias que se transformaram em anos de truculência e repressão. Jovens idealistas saíram às ruas, gritaram, marcharam e morreram por um sonho. Muitos seguiram e seguem cantando a canção, repressão, exílio, cadeia, corpos desaparecidos, presos políticos, bandidos comuns, todos em um só caldeirão, e hoje passados 39 anos, já não faltam mais cadáveres nas ruas e morros do Rio de Janeiro, já não faltam mais cadáveres nas ruas das grandes e pequenas cidades do Brasil.
Faltam vergonha, pudor, amor ao próximo, a morte se banalizou. Matar e morrer já não faz diferença. A bala perdida. O corpo achado no mato ou numa viela na porta de um barraco qualquer, homem, menino ou mulher. Vítimas da intolerância, da ganância, do trafico de drogas e sua influência, da inoperância do poder público, que quando chega ao morro ou a favela é para matar: ao invés de lápis, papel e caneta, homens de preto chegam com metralheta.
É mais fácil enterrar o pobre do que ensiná-lo seus direitos e deveres, esquecendo-se que todos nós temos as mãos domáveis e sede do saber. Os cadáveres do Rio de Janeiro, de São Paulo ou Recife são dos filhos da pátria amada mãe gentil, são nossos irmãos. Bons ou maus, são brasileiros, gente que sonha por dias melhores.Queira o bom Deus criador do universo, que estes dias não tardem a chegar, pois as balas estão perdidas, ceifando vidas.
Aos senhores de plantão no poder, lembrem-se: um dia a direita conservadora disse “era o cadáver que faltava”, e agora, senhores, que sobram cadáveres? Que pretendes vós fazer, para salvar a vida do nosso povo e da nossa nação, pois estamos caminhando, não cantamos canção, vivemos pela pátria mas nossos compatriotas estão sendo mortos sem razão, os soldados armados e o pobre cidadão.

PAELLAS, TOURADAS E PORTA NA CARA

FRANCISCO SAMPA

É Lamentável essa atitude tomada pelas autoridades da imigração espanhola, cidadãos brasileiros são barrados indiscriminadamente e tratado como animais ao chegarem ao pais das paellas e touradas.
Não somos anjos, como nem um ser humano o é, mas as atitudes que o serviço de imigração espanhol tem tomado contra os nossos compatriotas é algo lamentável, passível de repúdio e de uma ação junto as autoridades internacionais. Por pura discriminação, nos chamam de: porcos, macacos e outras cositas mais, é hora do Ministério das Relações Exteriores fazer valer através da lei os direitos dos nossos compatriotas em terras estrangeiras; merecemos ser respeitados, afinal somos filhos de um pais grande, rico e temos nossa importância no cenário político internacional e cabe aos nossos governantes cobrar esse direito de um jeito ou do outro, queremos o devido respeito que merecemos.
Todo estrangeiro quando chega a qualquer ponto de entrada do Brasil é tratado como um rei, é hora de mudarmos essa atitude em relação a qualquer pais do mundo, afinal, baseado no tratado de reciprocidade não temos o mesmo tratamento quando chegamos em terras estrangeiras.´
Não importa o continente sempre nos tratam com discriminação e desconfiança, até na pequena e vizinha GUIANA FRANCESA, um protetorado da FRANCA na fronteira Norte do Brasil, somos mal tratados, presos e muitas deportados apenas com a roupa do corpo. De cada cinco pessoas deportadas na Espanha duas são brasileiras e os três restantes dos mais variados paises.
Compete as nossas autoridades de fronteira tratar a todos os viajantes que batem a nossa porta da mesma forma como somos tratados no exterior, com obediência a lei e com a regidez que a mesma determina. Nos últimos dias alguns espanhóis e italianos foram mandados de volta para o velho mundo no mesmo vôo que chegaram ao Brasil, não vamos retaliar, vamos apenas trata-los da mesma forma.
Existe em Genebra um movimento para que os vinte e sete países da comunidade Européia sejam isentos de vistos, é forte a pressão por parte de Bruxelas, batem com a porta nas nossas caras e exigem que escancaremos as nossas, baseado no que vem esta pressão, afinal somos um pais democrático e soberano, e em nossa casa para entrar tem que pedir licença. Diante de tudo que temos acompanhado em relação ao tratamento dado aos brasileiros nas terras Del rei de Espanha só me resta dizer Que Venga Los Toros Que Cerraremos La Puerta e quando isto vier a acontecer LA COSA NON SE AQUEDARA BUENA PARA NADIE.

À todos uma boa semana, com muito trabalho e sorte.

terça-feira, 1 de abril de 2008

TEM CULPA PRA TODO MUNDO

Francisco Sampa


Quando sabe Deus lá, fizerem um julgamento, em que no banco dos réus sentarem o povo e os políticos brasileiros, será difícil apontar culpados e inocentes, uns por inoperância, outros por incompetência, dois fatores essenciais na receita da corrupção que temos presenciado nos últimos 50 anos.
Refiro-me a este período, pois equivale aos meus anos de vida material. Mas também houve a corrupção do pré-império, da pós-Velha República, Nova República, do golpe militar de 64, da abertura política na década de 80, a corrupção de todos os governos que o Brasil já teve.
Corrupção do presidente e dos políticos malditos, que brincam de monopólio com a coisa pública, negociando cargos, verbas e outras bravatas. E o povo lê (os que sabem), as notícias e deixa estar. Afinal, somos filhos de um país tropical abençoado por deus e bonito por natureza. “Temos carnaval, Natal ( tá chegando),é São João, micareta e mutretas, Copa do Mundo, e na cozinha falta filhos da pátria e os da Bebel”.
Enquanto no Planalto Central, com verba e dinheiro de todos, a lambança é geral. Apesar de “nunca na história deste país" se ver tanta gente ser presa, nem em filmes feitos na terra do Tio Sam, tudo é jogo de cena, ninguém fica na cadeia, afinal cadeia no Brasil foi feita para negro, pobre, pobre branco, e as BEBEL da vida, por que as de luxo também não ficam,viram até capa de revistas e dão entrevistas na TV, nem no mundo do faz de conta as coisas são tão surrealistas, como na pátria amada mãe gentil.
Tá na hora de fazermos ( Mea Culpa Brasil is), todos nós temos nossa parcela de culpa. É o povo que vota a troco de uma camiseta, lata de óleo ou um emprego em qualquer cargo público, o motorista que oferece dinheiro para o policial e o mesmo policial que aceita ou pede na cara dura, o estudante que cola do colega ou agora com a NET através do celular para passar no vestibular, o comerciante que sonega o imposto e rouba no peso, tinha uns que colocavam água no leite, o álcool ou solvente colocados na gasolina, o empregado que trabalha menos e marca horas a mais, o patrão que obriga o proletariado a trabalhar dobrado pagando horas a menos.
Todos nós temos parcela de culpa no cartório, votantes e votados, afinal o país pertence ao povo, é dever de todos zelar pelo bem comum das coisas da pátria, assim como os bens da família, pois aos olhos do mundo somo uma grande família chamada de brasileiros, quem é conivente também é culpado, corrupto e corruptor.
Não morro de amores pelo atual presidente, mas de fato e de direito a culpa não é só dele. Cada um de nós, dentro ou fora do Brasil, tem nosso quinhão no imenso latifúndio da governabilidade e das coisas que acontecem dentro do Brasil.
Não importa se é o simples fato de depredarem uma escola, uma sala de aula, um orelhão na esquina, ou se é um rombo de milhões, uma negociata. O povo tem seu dever de cobrar, se destroem e roubam é porque têm a certeza latente da impunidade. É a máxima do gato que “dá bote esconde a unha", no caso dos políticos, o bote é grande e a unha pequena é fácil de esconder.
No dia que todos se conscientizarem, que os pais e todos assim, quem sabe cada um terá o seu quinhão com dignidade, justiça e trabalho. Haverá a certeza de que os culpados serão punidos, os inocentes continuarão livres, as crianças e os velhos serão respeitados, mulheres, negros e outras minorias terão seus direitos respeitados e preservados. O político ladrão irá para cadeia e perderá o botim acumulado, laranjas servirão apenas para extrair suco e vitamina C. Neste dia, queira Deus eu não esteja sendo utópico, teremos um país menos injusto, com um povo menos sofredor, vítima das suas próprias mazelas.
“Até que esta era chegue sobre o povo e terra Brasilis, que todos levemos a vida regida pelos dois “Dês”, direitos e deveres: para cada dever cumprido, que respeitem nossos direitos, de ter escola, saúde e justiça, pois sem cultura, saúde e justiça, não há nação que resista ao ataque dos gafanhotos da ganância e da corrupção.

MULHERES DA VIDA

Por FRANCISCO SAMPA

Tudo na vida, ou quase tudo, é mulher. Vive-se em função delas, nascemos através delas, matamos , mentimos, temos sucesso ou fracasso, tudo em função da mulher. Recapitulemos as coisas que são femininas no ciclo que chamamos de vida: A VIDA, A MORTE, A NATUREZA, A ALEGRIA, A TRISTEZA, A ÁGUA, A ATMOSFERA,A FOME, A BRISA, A DOR, A PAZ, A GUERRA, A VOLÚPIA, A SINCERIDADE,A DOENÇA, A SAÚDE,A SEDE, A SAUDADE, A FLOR,A IRA, A MALDADE,A GANÂNCIA, A AMBIÇÃO,A PLACENTA, A BOCA, A ORELHA, A VISÃO, A ALMA, A UNHA, A ÍRIS, A CANÇÃO, A MUSICA, A PAUTA, A VIOLA a que toca uma CANÇÃO. E, se for preciso, faz-se a GUERRA. Por aí seguem o rosário destes femininos, que são as mulheres do nosso dia-a-dia.
Todo homem já teve vários tipos de mulheres: a donzela, a meretriz, a casada, a solteira, a sincera, a falsa, a recatada, a perua, a meiga, a ranzinza, a amiga e a companheira. Mulheres que o cancioneiro popular homenageou em verso e prosa, elas são a razão da vida e do viver. São as nossas mães, irmãs,esposas e amigas, mulheres que fazem parte das nossas vidas e, desde a hora que damos o primeiro suspiro até o suspiro final, acompanham nossos passos. Dando-nos conselhos, aconchego, carinho e a mão amiga.
Há momentos na vida de um homem em que o sopro da vida vem de um simples olhar de uma mulher. Muitos de nós, homens imigrantes nesta terra de neves, parques e oportunidades, vivemos a solidão das ruas, da hora e do tempo. Encontramos então no semblante da mulher que ficou para trás, seja a mãe, a irmã ou mulher amada, a força para continuar lutando e na esperança que vai dar certo. No outro lado da linha, ao final de uma chamada telefônica, para o Brasil ou qualquer outro lugar do mundo, uma voz suave entoa um simples “eu te amo” ou um fervoroso “Deus te abençoe”. Este é o combustível com que muitos dos homens imigrantes abastecem a alma e o coração para mais uma semana de árdua e solitária labuta, em busca do vil metal que realizará o sonho material junto ao colo da mulher amada.
Pois é, a mulher nossa de cada dia chama-se vida, e ela não é fácil, a cada momento uma nova emoção, a cada dia uma barreira que foi vencida, a cada manhã uma meta a ser alcançada. Quis o criador do universo que nós, os homens, fôssemos rodeados de mulheres, vivermos em função delas e para elas. Quem sabe no dia que todas as mulheres do mundo se conscientizarem do poder e da força que lhes foi dada pelo Criador, este mundo governado por homens que vivem em função e para as mulheres possa ser mais humano, menos injusto, com menos rancor no coração dos seres humanos.
Uma coisa nos entristece ao lermos nos jornais a violência cometida contra elas. Na Espanha, país rico do velho mundo, até o dia 21 de novembro deste ano setenta mulheres foram assassinadas. Nos EUA, então, os índices são alarmantes. Já no Brasil os números são absurdos: no último dia 20, uma jovem de 18 anos teve sua vida ceifada, por aquele que se dizia ser o eterno namorado. No momento que você ler está lendo este artigo em alguma parte do mundo uma mulher está sendo violada nos seus direitos.
Diante de tudo isto, só me resta dizer: mulheres do mundo, unam-se! Vocês têm o poder de gerar uma vida e por nove meses carregar um ser em vosso ventre, qual homem por mais bonito, rico, e viril, pode realizar tal feito? Nunca se esqueçam do poder que Deus lhes deu e sejam felizes, afinal, o que seria de nós sem vocês, mulheres?