quarta-feira, 22 de abril de 2009

Podemos não gostar, mas temos que respeitar este cabra sonhador

Podemos não gostar, mas temos que respeitarsonhador


Francisco Sampa

Sem verso e sem prosa, nordestino, baixinho, cabeça chata, pés descalços, analfabeto, migrante pau-de-arara. Não é fácil vencer no sul maravilha carregando incrustadas na pele estas características. Com esta etiqueta chegou à cidade de Santos aquele grupo de pernambucanos meus conterrâneos vindos de Garanhuns no agreste do estado. A vida não foi fácil. Uma mulher doente, uma renca de minino. Minino mesmo. Pernambucano tem mania de trocar e pelo i. Tanto é que todo mundo é de Ricife e poucos são de Recife. Voltando à saga da família Silva, como tantas no Brasil, essa tinha uma estrela, uma pedra preciosa que precisava ser lapidada. Não era mais um Silva como eu e você e tantos outros Brasil afora. Não era mais um Luis, como o Rei do Baião, o Gonzagão dos 120 baixos e tantos altos, que num voo da Asa Branca foi fazer forró no céu com um triângulo de ouro e uma zabumba dourada. Era um Luiz. Era também Inácio. Sua vida foi o prefácio das coisas que um dia iríamos ver. Como tantos nordestinos, ao chegar em São Paulo virou baiano, mas era um Luiz Pernambucano, menino nobre, sonhador, porém fruto de uma noite ou um momento de amor de uma mulher pobre e um lavrador lutador. Quando a terra secou, o mandacaru não deu flor, só restou uma opção, subir num caminhão e seguir no estradão carregando o “malutão”. Na viagem tinha farinha, carne seca e feijão. E lá se foi Luiz pra Sun Paulo. Tentar a vida, virar gente. Passados os anos, Luiz agora é o Lula Presidente. Foi sindicalista, lutou pelas diretas, viajou país afora. Quando a dita tava dura, Luiz levou uma dura foi parar no xilindró, “seu doutor tenha dó de mim, sou trabaiador metalúrgico, luto por meus direitos e dos companheiros”. Luiz ficou na cadeia preso na teia do porão ditador. Veio o tempo e as mudanças e Luiz foi deputado sem anel de doutor. O cabeça chata nunca foi vereador, mas sonhador e lutador. Luiz não foi governador, saiu para presidente. Não foi na primeira vez que Luiz representou sua gente. Anos se passaram. Os colloridos se foram e os tucanos também. Luiz cabra arretado, nordestino lutador, lutou pelo sonho e um dia Luiz Lula ganhou. Agora é o presidente. Claro que tem muitos descontentes. Eu também aqui estou. Lula na presidência merece o respeito de um sonhador, lutador por um sonho e hoje assim cada um luta pelo seu. Eu aqui com o meu e você aí com o teu. O nordestino de cabeça chata chegou onde muitos não queriam, nem eu tão pouco queria que ele chegasse, Pt, saudações à parte, são as coisas da democracia de uma terra chamada Brasil. Se ele pode, qualquer um poderá. Podemos até não gostar... Mas temos de respeitar este cabra sonhador, que sem anel de doutor, virou presidente da terra que nos viu nascer, país pelo qual morremos de amor

quarta-feira, 15 de abril de 2009

O BRASIL NÃO PRESTA... IMAGINE SE FOSSE BOM?

O BRASIL NÃO PRESTA... IMAGINE SE FOSSE BOM?

Por Francisco Sampa
Boa parte dos brasileiros que aqui estão falam do mal do Brasil, lá falta tudo, tem violência, corrupção, trabalho, só tem ladrão, polícia pede dinheiro, as estradas são ruins, tudo é caro, ninguém pode ter nada, só tem invejosos, pobres, gente feia e desempregada. O engraçado, porém em tudo isso é que toda essa gente, este bando de apedrejadores, só enviam dinheiro para o Brasil, lá constroem, vão passear, não veem a hora de ter um “green card” para ir passear no inferno chamado Brasil. Nas lojas só querem se for do Brasil. Quando aqui chegam: “Nossa! Graças a Deus estou nos Estados Unidos. Brasil nunca mais! E por aí segue o rosário. Para estas pessoas sugerimos enviarem dinheiro para a Suécia, Luxemburgo, Áustria, Islândia, França, Mônaco ou em último caso deixarem aqui mesmo, mas todos eles abrem a boca e a plenos pulmões falam mal do Brasil. Lá nada presta, tudo é feio, tudo é ruim. Aqui se pode ter tudo. Uns até se recusam a ensinar português para os filhos e dizem de boca cheia: “Carlos Maxwell é americano”. Como adoram por nomes “chics” nos filhos. Coisa de pobre. Não o pobre de recursos financeiro, mas sim o pobre de cultura, adoram ostentar. No Brasil todos eram importantes empresários, fazendeiros e industriários. Aqui à custa de muito trabalho honesto ou de caráter duvidoso, todos fazem um pé de meia, em muitos casos várias meias com muitas histórias sem pé nem cabeça. Quanto a isso, nada a comentar. O que nos deixa tristes é a injustiça para com a terra que nos viu nascer. É claro que tem todo tipo de mazelas, mas nosso povo e nossa gente é digna, ordeira e trabalhadora. Tem muita gente ruim que não presta mesmo, mas temos muita gente boa, tanto lá quanto aqui. Só que os detonadores de plantão falam mal por falar. São vassalos de uma situação, os populares puxa-sacos. Pois é amigos, é triste ouvir da boca dessa gente que o Brasil não presta, o povo não serve para nada, que aqui é o paraíso e lá um inferno pior do que o de Dante. Estas criaturas, muitas delas, já andam por aí a falar dos Estados Unidos também, afinal são discípulos do ter, esquecendo que o ter é efêmero e volátil e o ser é uma constante. O ser é essência e com ele conquistamos e realizamos metas e sonhos. Para o ser não existe o impossível e o inatingível, pois com trabalho, método e organização um dia chega se ao ponto desejado: o Everest de nossas vidas. Portanto meus amigos, o Brasil presta e muito. Nosso povo presta e é gente de boa cepa, claro que tem uns que o cupim dá conta da cabeça, tronco e membros, pois como disse Caminha, naquela terra se plantando tudo dá e deu mesmo, muita coisa e gente boa, mas também muita alma sebosa que vive dizendo que o Brasil e no Brasil nada presta e essas ervas daninhas humanas mandamtudo para lá, constroem lá e não veem a hora de voltar. Herbicida neles, pois o Brasil é tudo de bommmmmmmmmmmmmmmmmmm.

sexta-feira, 10 de abril de 2009

LULA E O FMI

Texto Publicado Quarta Feira dia 8 de Abril de 2008
no Brazilian Press

LULA E O FMI

Francisco Sampa

O “Cara”, conforme Barack Obama na reunião do G 20 em Londres, emprestará dinheiro brasileiro, (leia-se do povo), para o FMI. Que bom, viramos ricos! Como diz a Kate Luci: ele tá “pagaaaano”!
Enquanto isso acontece faltam escolas, hospitais, remédios, segurança pública, merenda escolar e outras cositas mais. Recentemente vimos na TV um cidadão que viaja três dias em lombo de burro, como no século 19, para levar merenda para as crianças no estado de Goiás. Lá, bem pertinho do Palácio onde o “Cara” mora e despacha.
Pois é, em pleno século 21, num país rico que até se dá ao luxo de emprestar dinheiro ao FMI, há crianças que não têm escolas e merendas. Existem hospitais que não têm médicos, doentes que não têm remédios, presos que não têm cadeia e políticos que não têm vergonha na cara e nem nos glúteos.
Como disse o “Cara” rindo numa coletiva de imprensa, “já pensou que chique nós emprestando dinheiro ao FMI?”. Realmente, o maior chiqueiro, coisa linda de dar orgulho e encher o peito de ufanismo e dizer “óia, nóis impresta dinhero pro FMI, mais nóis num tem escola, trabaio e vivemus na fartura, tá fartando tudo”.É muito bonita a intenção do senhor presidente em querer projetar-nos como uma grande nação, coisa que realmente somos de fato e de direito, temos nossas qualidades e grandes riquezas e a maior de todas é a capacidade de superação do povo brasileiro. Senhor “Cara” presidente, além dos projetos “embolsa” que o senhor e a sua equipe já criaram, pegue este dinheiro e use-o na criação de novos empregos. Mais emprego para o povo e menos esmolas. O povo com trabalho e salário na mão gasta como quer, onde quer e com quem quer. Os projetos sociais do atual governo não são de todo ruins, mas é hora de gerar trabalhos, qualificar mão-de-obra, ensinar a pescar, desenvolver o potencial do povo e das regiões carentes, levando o homem para o seu meio, fixando-o no seu habitat natural, evitando que o homem simples deixe a sua vida humilde nos grotões do Brasil e vire mais um favelado excluído da metrópole, que sugará o seu sangue e devolverá o esqueleto à periferia, onde boa parte do proletariado vive como zumbis urbanos na busca do sangue e do pão de cada dia. Nós os autoexilados a República Federativa do Brasil, agora imigrantes espalhados mundo afora, queremos voltar para casa, para o seio da pátria amada mãe gentil, mas queremos a certeza de que mesmo que os braços não estejam abertos, não seremos chutados num projeto pé na bunda, onde a bunda será a nossa e o pé, como sempre, o do governo e seus asseclas empresários gananciosos que roubam o suor do povo e são cúmplices da exploração. Cada um à seu modo suga o proletariado na corrida pelo lucro imensurável, pois a regra básica é somar, multiplicar, explorar e sonegar, enquanto isso o povo... ora o povo ? Que se exploda, afinal povo só serve para votar e reclamar. Enquanto o povo reclama esperando por Obama.

sexta-feira, 3 de abril de 2009

BARRAQUEIROS E MILITANTES

Publicado no, B.Press edicao de Quarta Feira 1 de Abril de 2009


BARRAQUEIROS E MILITANTES


Francisco Sampa

O brasileiro adora reclamar de tudo e todos até de Deus reclamam. Reclama na fila do banco, no ponto do ônibus, dos preços altos, da corrupção "desde que não tire vantagem da mesma", se tirar tudo bem. Reclamam dos pastores, eu que o diga, dos padres, do patrão, do empregado, dos clientes e vice-versa. Para todo lado tem gente reclamando. A insatisfação é geral, ampla e irrestrita. Todo mundo abre a boca e diz: eu tenho direito, mas poucos são os que dizem: eu cumpro com meus deveres. Esquecem que na vida tudo são dois dês: deveres e direitos, sempre nesta ordem, no entanto nós, pois eu também me incluo na lista dos apedrejadores, só queremos saber dos nossos direitos, os deveres que cumpram o governo, os patrões e os demais.Adoramos fazer um barraco. Estamos mais para barraqueiros do que para militantes. Todo militante é visto como um agitador subversivo e aproveitador, muitos ficam na moita esperando a coisa acontecer. Se der certo tô dentro. Se der errado o militante fez merda.É assim aqui e no Brasil não é diferente. Quando foi época do protesto do primeiro de maio de 2008, ninguém saiu da moita para engrossar as fileiras de ilegais que clamavam por uma nova lei de legalização, porém todos queriam e querem colher nesta seara, entretanto dar as caras, nem pensar. É sempre assim em qualquer movimento. Foi assim com Tiradentes na Inconfidência Mineira, na Revolução Farroupilha, na Regência Trina em 1840, na Proclamação da República, na Revolução Constitucionalista de 1930, da Nova República. Foi assim no fatídico golpe militar de 31 de marco de 64, onde muita gente partiu num rabo de foguete e outros sumiram nos porões da ditadura do AI 5 de 68. Hoje respira-se liberdade e democracia, mas com cheiro de sangue de inocentes no ar. Na história e na comunidade é tudo igual. Poucos lutando pelos interesses de muitos.O caso do Brazilian Wax é um típico caso de discriminação contra o Brasil e os brasileiros e mostra a falta de militância da comunidade numa questão que pode vir atingir a todos: patrões, clientes e funcionários. Contudo, como é de praxe, o povo não está nem aí, afinal o fogo é na casa do vizinho e o meu telhado é de laje. Por medo ou por covardia os principais interessados não se manifestaram, não marcaram presença, mas na hora em que a porca torcer o rabo, a gritaria será geral e uma coisa é certa só gritaremos depois do leite derramado. É hora de sermos militantes para depois não virarmos barraqueiros e ficarmos lamentando a batalha perdida. Sigamos os exemplos dos grandes, é o lema deste país em que vivemos: "united we stand", unidos ficaremos de pé, desunidos nunca venceremos batalhas e conquistaremos metas e objetivos. Seremos eternos barraqueiros lamuriadores das filas e dos botecos. Vamos militar mais e reclamar menos. Apalavra de ordem é reivindicar e conquistar direitos cumprindo os deveres com menos barraco e mais militância.

A VIOLÊNCIA NOSSA DE CADA DIA

Publicado no B.Press Quarta feira 25 de marco 2009

A VIOLÊNCIA NOSSA DE CADA DIA


Por Francisco Sampa

Todos os dias em várias partes do planeta a violência encena um ato de terror espalhando medo, sangue, dor e ceifando as vidas de inocentes.No Brasil isso é constante, como o tiroteio nas ruas de Copacabana desde o último fim de semana. Lá dizem que é a falta de cultura, as leis não funcionam, a pobreza, o desemprego. Enfim, há uma série de adjetivos para justificar a nossa violência urbana contra tudo e contra todos.Mas e a violência dos chamados países civilizados do primeiro mundo. Qual a justificativa? O que leva jovens de classe média e com boa vida a saírem metralhando a tudo e a todos em escolas dos EUA e da Europa?A única explicação viável é que a violência é algo genético no ser humano, nasce com todos e cada um a desenvolve à sua maneira. Uns levam anos e aprimoram o desejo maligno destruidor contido dentro do próprio ser e com o passar dos tempos aprende técnicas de destruição e um belo dia colocam em prática o sonho macabro de destruir seus semelhantes e muitos se autodestroem. Uns em nome de Deus, outros de Alá e outros por puro sadismo, sede de sangue e dor, se alimentam da maldade e a proliferam pelos cantos do planeta na ânsia de destruir o que Deus criou. Na vida humana a violência já é globalizada desde os tempos de Caim e tentar acabar, erradicá-la do planeta é um sonho utópico de todos os seres humanos , pois todos um dia já sentiram o desejo e a vontade de matar e por alguma razão levaram a cabo, mas a vontade, essa nasceu dentro de cada um de nós meus amigos. Não erradicaremos este desejo que nasce e se desenvolve dentro do ser humano, mas temos o dever de tentar diminuir essa coisa que a cada dia aumenta dentro de todos pelas razoes mais fúteis. Somos fruto e semelhança do pai celestial criador do céu e da terra. Temos o dever de sempre lembrar de tudo isso, antes de qualquer ato que possamos fazer no sentido aumentar a violência nossa de cada dia. Do jeito que a coisa caminha qual o futuro que deixaremos para a nova geração? Qual a mensagem que ficará para os jovens que também já praticam a violência e são vítimas desse nosso cotidiano?A violência não é um fato típico de determinado país ou região. A violência é universal e deve ser encarada como uma epidemia, que como todas as outras um dia terá a cura, pois ela se encontra dentro de todos nós. Violentos ou não a solução está em nós mesmos.