quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

CRIMINOSOS MADE IN BRAZIL

CRIMINOSOS MADE IN BRAZIL

Francisco Sampa

No fim dos anos 80 e primórdios da década de 90 tudo era diferente na comunidade brasileira em várias partes dos Estados Unidos. Os que aqui já estavam nos recebiam com certa desconfiança, com um olhar de soslaio, mas com um sorriso no rosto. Apesar da desconfiança sempre tinham um canto, uma palavra de acalanto e um carinho. Raras eram as lojas e restaurantes. Um pequeno comércio engatinhava, dando os primeiros passos rumo a este futuro que hoje desfrutamos. Nos anos 80, brasileiros de todas as partes começaram a chegar à costa Atlântica dos Estados Unidos na busca do sonho americano, digamos que foram os anos de inocência da nossa comunidade. Os meios de comunicação eram escassos. Telefonemas só nos fins de semana. Televisão nem se cogitava. Jornais, só os que chegavam do Brasil com dias de atraso e assim a comunidade foi se formando e deformando-se. Encontrar um conterrâneo era motivo de festa e de um papo repleto de saudades e carregados de emoção.
Mas um belo dia, um tresloucado residente na área da nova Inglaterra, sabe-se lá por qual motivo, assassinou um conterrâneo das Gerais com golpes de cano e desde esta data a saga de crimes contra a pessoa, instituições e o patrimônio público não parou.
Nos últimos anos é raro o dia em que abrimos um dos jornais comunitários, ligamos a TV ou até mesmo vemos o noticiário das TVs americanas e não vemos uma notícia policial envolvendo um compatriota. Os mais afoitos já fazem parte da lista dos 10 mais procurados pelo FBI.Estão envolvidos em roubos, furtos, latrocínios, tráfico de drogas e até, como recentemente aconteceu no estado de Connecticut, falsificação de dólares. Antes era só falsificação de documentos: social security, carteiras de motoristas, green cards e vistos nos passaportes. Na verdade estes criminosos made in Brazil, os espertalhões de plantão, se esquecem da grande massa ordeira e laboriosa de brasileiros que deixaram tudo para trás e aqui vieram em busca de um novo Eldorado. Conforme está na bem humorada crônica que li no Comunidade News de Danbury, Ct, essa gente é muito limpa e inteligente. Os mais limpos lavam dinheiro e os mais inteligentes imprimem sua própria moeda. E assim eles progridem. Às sombras e às margens da lei, mas com certeza um dia a casa cairá. Já caiu para alguns. Apesar de tudo isso nunca devemos nos envergonhar de sermos brasileiros, pois como é público e notório, nosso país, nossa gente e nossa comunidade estão acima de todas essas coisas cometidas por este tipo de gente. Os bons e o bem prevalecerão acima de qualquer situação, porque ser brasileiro é viver e não ter a vergonha de ser feliz. Na bateia do garimpo da vida, o que cai não é tesouro e a água carregará, só o ouro brilhante da essência do povo brasileiro brilhará.

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

OS NOSSOS FILHOS E OS TRAFICANTES DE DROGAS

OS NOSSOS FILHOS E OS TRAFICANTES DE DROGAS

Francisco Sampa
Em todas as parte do mundo e a toda hora tomamos conhecimento de notícias envolvendo o tráfico de drogas e jovens envolvidos com o mesmo.O mal do século bate à nossa porta, entra em nossas casas e vidas sem dia e nem hora marcada. Por onde passa deixa um rastro de destruição de culpados gananciosos e pobres inocentes, independente da classe social, raça ou mesmo religião. A droga está dizimando a sociedade e famílias inteiras. É o combustível da violência que assola as nossas famílias, comunidades, cidades e estados. Em todas as partes do mundo esta epidemia é uma constante e uma praga democrática. A indústria por trás das drogas movimenta bilhões de dólares. O tráfico, a prevenção, a coerção, enfim muitos lucram e todos perdem. As drogas estão dizimando a sociedade como um todo e em nossa cidade e no seio da nossa comunidade não é diferente.Boa parte da violência das ruas de Newark e dos crimes violentos que aqui vem acontecendo, gira em torno e é alimentado pelo tráfico e consumo de drogas. Boa parte dos nossos jovens e adultos são vítimas involuntárias ou voluntariamente consomem todo tipo de droga existente no mercado da morte. A morte lenta, silenciosa que tem destruído famílias, jovens, adultos e sonhos. A predadora moderna da espécie humana.A maioria da nossa gente, pai e mãe só se preocupam com o cheque da semana. Quantas casas foram limpas. Quantos plywood foram colocados. Quantos pisos assentados, enquanto isso nossos filhos e os dos nossos amigos estão sendo dizimados pelo uso da maconha, da cocaína e das drogas sintéticas que circulam em nossas ruas, alimentando a violência, destruindo vidas. É grande o número de famílias da nossa comunidade vítimas desta coisa que a cada dia corrói nossas estruturas.É hora de acordarmos, olharmos ao nosso redor, nos unirmos e fazermos algo para salvarmos a nós mesmos e nossos entes queridos. Não é questão de pessimismo, é a triste realidade que bate à nossa porta e dilacera nossas mentes e corações. Esta mesma triste realidade enfrenta os pais imigrantes que deixaram seus rebentos para trás e aqui vieram em busca da realização do “American Dream”. Meus amigos de cá e de lá, os traficantes estão adotando o que de mais precioso nós temos: nossos rebentos, frutos do nosso amor e parte do nosso ser. Nossos filhos por melhor que os tenhamos criados estão à mercê dos traficantes. Os daqui e os de lá, a solidão da rua, a crise econômica, o desejo, a frustração da não realização. Tudo isso faz com que nossos filhos sejam presas fáceis em mãos e mentes criminosas que visam o lucro rápido e fácil. O lucro proveniente do tráfico da droga, o sonho maldito, o pesadelo quase eterno que leva nossas vidas e nossos filhos e nossos sonhos às profundezas do inferno. É triste e dolorida essa realidade em que vivemos, mas ainda podemos tentar virar este jogo. Vigiemos e oremos, pois com ajuda de Deus ele nos ajudará a mudar essa triste sina de nossos jovens em direção a este abismo.É de vital importância a participação de todos na prevenção e orientação das crianças, jovens e adultos na questão das drogas, pois como é público e notório, esse mal silencioso ceifa vidas e deixa sequelas graves na vida da sociedade e de famílias inteiras. Além da repressão das autoridades, a principal arma nesta guerra é a fé e a perseverança de todos nós.Unamos-nos nesta cruzada e não deixemos que nossas crianças no Brasil ou aqui nos Estados Unidos sejam levadas por esse Tsunami de ilusões e falsas promessas em que consiste o mundo das drogas e dos drogados. Lutaremos para que os nossos filhos e os dos nossos parentes e amigos não sejam adotados pelos traficantes. Esses mercadores de almas e de falsas ilusões no mundo das drogas neste oceano de incerteza que as mesmas proporcionam.Antes de nos preocuparmos com o cheque do fim de semana, nos preocupemos com a verdadeira razão da nossa existência e o motivo pelo qual lutamos por dias melhores: os nossos filhos. Caso não dermos a devida atenção, com certeza, em breve muitos dos nossos conhecidos e talvez os nossos próprios filhos sejam adotados por um inescrupuloso e ganancioso traficante de drogas.

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

Morto não Gasta...

Morto não Gasta

Francisco Sampa

Texto publicado no B.Press dia 7 de Fevereiro de 2008

É lamentável o comportamento da grande maioria dos nossos comerciantes. Apesar de muitos fazerem questão de serem chamados de empresários. Vocês amigos, parentes e leitores que nos últimos 20 anos já viram vários de nossos compatriotas perder a vida neste pais em busca do sonho americano: " fazer América", inúmeros velórios já foram realizados neste período, mas esta semana, nos três últimos, observei todos os presentes e notei muitos ausentes: os nossos "empresários", que se dizem membros e muitos se intitulam líderes desta comunidade na qual ganham honestamente o suado pão de cada dia. Pois é amigos, vocês quando estão vivos são muito bem-vindos, aliás os seus suados e sagrados dólares. Mas depois que vocês passam a ser um número na estatística demográfica vital, vocês deixam de ser importantes no círculo comunitário. Senhores empresários, que tal tirarem um pouquinho o olho da porta e outro do caixa e num momento de sofrimento e dor pela perda de um ser querido, marcarem presença num velório, dando uma palavra de carinho e confortando os amigos ou o parente que ficou pra trás, daquele teu clienteque você tanto gostava e agora também perdeu. Seria muito bom ver a cara dos nossos empresários neste momento de tristeza e dor, pois só a grana não basta. A presença, a palavra é de muita importância nestes momentos meus senhores afinal, aquele que se foi já deixou um bocadinho de dólares na sua caixa registradora. Se hoje muita gente está rica é porque esta comunidade lhes deu o apoio e consumiu o necessário para tal fato acontecer. Portanto meus senhores, vamos tratar e cuidar desta gente com mais e carinho em todos os momentos desta nossa vida de imigrantes garimpeiros sonhadores, pois quando chegar a hora, todos nós iremos prestar contas do balanço com o "Big Boss" no andar de cima e quando ele perguntar por você comerciante ops! empresário, onde estava na hora do velório de um dos seus clientes e compatriotas? O que você vai responder??? Olha tudo é possível na vida e depois da morte. Vamos ganhar e cuidar dos nossos compatriotas em todos os momentos de nossas vidas, neste grande gueto que chamamos comunidade. Vamos ter comunhão na alegria , na tristeza, na hora da festa e na hora da morte, pois morto não gasta, mas os amigos e parentes continuarão gastando e merecem um pouco de carinho e respeito nesta hora de tristeza na alma e no coração.Muita gente vai espernear, como sempre fazem, mas é a verdade que se constata nestes momentos de tristeza e dor, só os amigos e parentes aparecem, os comerciantes deveriam também trazer um pouco de solidariedade, num momento de perda do ser querido. Mas toda regra tem exceção. Parabéns Belinha! Parabéns Clara e Thelma! Parabéns Rafael! Vocês sabem valorizar o povo brasileiro com profissionalismo e bom atendimento durante a vida e consolando os que ficaram mesmo após a passagem do tempo que chamamos vida. Tem sido bom ver vocês nos velórios dando apoio a familiares e amigos, pois além da grana que destrói coisas belas o povo também quer a mão amiga pairada no ombro, acompanhada de um sincero meus sentimentos. Como sou um sujeito suru, expresso esta minha opinião , na certeza que um dia tudo vai mudar pra melhor, pois os nossos empresários, estão certos de que morto não gasta, mas os que ficam sim. Não esqueçam senhores, a “grana” de vocês é muito útil na hora da coleta para ajudar nas despesas do velório, mas as vossas ausências notadas e contestadas. Apareçam, afinal no gueto se compra, se vende e se morre. Tenham todos uma boa semana.

Comum...unidade:uma triste realidade

Comum...unidade: uma triste realidade

Francisco Sampa

Texto publicado no B.Press dia 1 de jan de 2008


Uma jovem de menos de 30 anos, vive dias de agruras e sonhando com um futuro um tanto nebuloso, pois a atual conjuntura não é das melhores, vide a atual situação sócio econômica financeira, assim está vivendo a comunidade brasileira, uma ilha cercada de todo tipo e problemas inerentes da atual situação que atravessa o país e o mundo com os altos e baixos da situação econômica nos E.U.A.Por todos os cantos do planeta ricos ficando pobres, entre aspas, pobres indo direto pra miséria sem escala e os miseráveis... bem esta é outra parte da história atual da humanidade, sempre existiram e não estão em fase de extinção, como as baleias, as araras azuis e os micos leões dourados. Tudo se extingue na terra, menos a pobreza e a miséria, estas vêm desde os tempos remotos antes de Cristo e por aqui permanecerão por milhares de séculos, pois a interdependência ricos, pobres e miseráveis são um mal necessário, a vida no planeta terra faz parte de um ciclo onde todos têm o seu papel assim como no reino animal.Mas aqui em nosso burgo, as coisas não andam bem por nossas plagas, a disputa insana pelo poder e pela opulência está cada vez pior e expõe as entranhas de uma comunidade criada na base da Lei do Gerson e da lei de Muricy, cada um cuida de si.Sempre que morre um brasileiro começa o peditório humilhante e vergonhoso pra todos: para os que pedem e para os que doam, com boa e má vontade, as malditas caixinhas, listas etc., etc., para coletar dinheiro para o desafortunado que veio buscar ouro, tosquiar e acabou sendo tosquiado pela morte na caminhada rumo à realização de um sonho de uma vida melhor, ou seja lá o que for. Uma coisa é certa, voltará para o Brasil numa caixa fria, no porão de carga de um Boing com temperatura que tangem 50 abaixo de zero. Triste Fim de Policarpo, uns morrem na Quaresma, outros no Natal, alguns no Carnaval. Uma coisa é certa, todos morrem e de julho até a edição desta quarta-feira, 1 de outubro, só aqui em New Jersey foram 6 e no país inteiro passou de 15 em menos de 70 dias. Ou seja morre um brasileiro nos E.U.A. à cada 4 dias.E quando a morte chega começa a correria: documentação, dinheiro para as despesas, na maioria dos casos passa da casa dos $10 mil dólares. A família como sempre não tem, nem os daqui, tão pouco os de lá. E agora José? Como fica que a morte chegou???????Durante a vida reluzentes pick ups, carros novos, churrascos nos fins-de-semana, shows e festas, se possível nos 7 dias da semana, duas por dia porque ninguém é de ferro, entre uma festa e outra tem de haver pit stop para relaxar. A grana da igreja não pode faltar, a corona tem que estar bem gelada, o tip das go-gôs girls, este é sagrado, pois se não for assim o sorriso da bela jovem será amarelo como um sol ao romper da aurora. O dízimo da igreja tem que ser pago, pois o pastor poderá ficar chateado. Assim caminha o exército de auto-exilados na terra do Tio Sam: tênis da Nike, corrente, relógio e pulseira de ouro, ou é calça de veludo ou bunda de fora, mas todos esquecem da hora, hora que ela vem sem avisar, sorrateiramente, na calada da noite ou ao sol do meio-dia e como um malfeitor salteador das estradas, roubam-lhe teu bem maior "tua vida mané " e tu vira um número na estatística vital de um Instituto Médico Legal na terra do rock, mas quem errou foi você "zé mané". Curtiu, gastou, abusou e não se preparou para a única coisa certa da vida: a tua, a minha, a nossa morte.Pois é, falta conscientização na comunidade, mesmo diante de tantas mortes , mortos sem causa, pois a causa mortis só depois da autópsia e uma disputa insana por tudo , quem tem mais martelos, mais compressor, mais escadas, mais tesoura e secador, mais colher de pedreiro, o restaurante maior e mais e mais bonito. O empresário que tem mais casa aqui e lá no Brasa, mais dólares no banco, quem manda mais dinheiro para o Brasil, quem comprou mais coisas, porco , galinha, marreco, caminhão, papagaio, F 250, S10 ou quem tem mais anel de ouro. Podem faltar dedos, assim como o Presidente, mas anéis jamais. Todos querem ter muito e serem mais, mas não existe, uma associação de carpinteiros, pedreiros, músicos, faxineiras, até os poderosos se digladiam entre si, mas prova é tanta gente rica e "poderosa" e não se unem em prol de uma associação comercial.Podem faltar dedos, assim como o Presidente, mas anéis jamais. Todos queremter muito e serem mais, mas não existe, uma associação de carpinteiros,pedreiros, músicos, faxineiras, até os poderosos se digladiam entre si, masprova é tanta gente rica e "poderosa" e não se unem em prol de umaassociação comercial. “Pesudos” líderes que não lideram. Todo mundo querser cacique numa terra onde a maior parte são índios e por aí caminha acaravana dos auto exilados. E a coisa vai se arrastando feito cobra pelo chão,qualquer cidade do Brasil por mais atrasada que seja tem um cdl que luta pelosinteresses dos comerciantes. Os profissionais se unem e lutam por seus direitos,até as putas no Brasil tem sindicatos, os veados também, aqui onde só temgente "rica e importante", não existem órgãos de classes querepresentam empregados e empregadores explorados e exploradores, prevalece a leide Muricy: cada um por si. Depois os corneteiros de plantão falam mal da BAUA, do pastor, do padre,daqueles que ainda mal e porcamente conseguem fazer alguma coisa em prol dessagente que por aí, anda em busca do American Dream. Que nos dias atuais efuturos surge como o pesadelo dream USA, a coisa tá Sampa minha gente e vaificar mais preta ainda: drogas, alcoolismo, prostituição, furtos e violênciadoméstica e hora de fazermos algo para o bem de todos, mesmo dos que tem e dosque não possuem nada, pois viver em comunidade é se auto-ajudar de todas asformas. Nossos jovens estão se drogando à luz do dia, famílias brasileiras estãosendo destruídas pelo mal do século, enquanto os pais contam dólares, compramcoisas aqui e lá os filhos cheiram e fumam. Os traficantes estão adotando osjovens da nossa comunidade. O álcool está matando nossos pais e mães defamília. É hora de fazer algo, pois só pastor e padre não são suficientesnão, é um dever de todos.Nesta terra onde todos são empresários, construtores, limpadores, produtores,mercadores de sonhos e alegrias pré e tristezas pós. É hora de começar afazer algo, que tal se unir em grupos por categoria, empresários, construçãocivil, pintores de pontes e de sonhos. Cada um deixar de lado o ego e asvaidades e pintar um quadro colorido, com um futuro digno de figurar no museu dahistória da vida de todos nós. Que tal pintar um quadro chamado comunidade?Quem sabe assim sobreviveremos com menos agruras e construiremos um futuro dignopara todos nós, onde nossos corpos velhos cansados poderão ter a alma lavada econsciência tranqüila do dever cumprido, e assim teremos uma comum...unidade,digna de respeito e motivo de inspiração para outras pessoas, que um dia nestaterra chegarão, pois uma coisa é certa, a fila anda. Assim como foram ositalianos, os portugueses, hoje somos nós, um dia seremos passado, uma triboque vai para ahistória, a tribo verde e amarela. O povo da terra do samba e do maracatu,que construiu uma bela e próspera comum unidade. A todos boa semana

13 de Maio, dia da Libertação dos Escravos, 120 anos da utopia brasileira

13 de Maio, dia da Libertação dos Escravos, 120 anos da utopia brasileira

Francisco Sampa

Texto publicado no B.Press dia 14 de maio de 2008

Rio de Janeiro, 13 de maio de 1888. Cerca de 10 mil pessoas se aglomeram ao redor do Paço. O Palácio do Governo na Capital Federal. Gente do povo, da alta sociedade e autoridades que aguardavam a chegada da princesa Isabel para a assinatura da Lei de número 3.353. A Lei Áurea. A mais comentada e festejada de toda a história do Brasil até aquela época. Ela encerrava quase quatro séculos da escravidão de negros no Brasil. Hoje a Lei Áurea faz parte da história.Não é mais comemorada com a mesma alegria de antigamente, nem mesmo pelos negros, os principais beneficiados. Participantes do Movimento Negro no Brasil consideram que a lei foi apenas uma conquista na área jurídica, pois obrigou o fim da escravidão. Mas não houve conquista social: os negros permaneceram marginalizados na sociedade e até hoje lutam contra o preconceito.O 13 de MaioFilha do imperador D. Pedro II, a princesa regente Isabel governava o país pela terceira vez, pois seu pai estava doente. No dia 13 de maio, ela chegou ao Paço quase às três horas da tarde, trajando um vestido de seda de cor pérola com rendas. O povo gritava de alegria. Instantes depois, ela assinaria a lei que dava liberdade à todos os escravos do Brasil. Da sacada do Paço, senhoras jogavam flores sobre a princesa e seu marido, o conde D'Eu, que subiam as escadas para ir ao local da cerimônia, a Sala do Trono.Libertos, mas marginalizadosUm ano e meio mais tarde, a princesa Isabel, que seria a próxima imperatriz e a primeira mulher a governar o país, perdeu o trono com a Proclamação da República, em novembro de 1889. Os presidentes republicanos nunca tomaram nenhuma medida para integrar os ex-escravos e seus descendentes à sociedade. Apesar de libertos, os negros não receberam condições de ascender socialmente e de tornarem-se cidadãos de fato. O preconceito contra eles e a escassez de oportunidades permanece ainda hoje, quando os descendentes de africanos, (negros e pardos), são 45% da população brasileira (cerca de 70 milhões de pessoas). Hoje 13 de maio de 2008, cento e vinte anos já se passaram. Transformaram o negro em Afro-Descendente. No Brasil do século 21, o negro ainda continua marginalizado por seus pares e por parte da sociedade. Continua sendo discriminado, mas dia chegará em que o negro sairá do gueto da sua existência e quando chegar, quem sabe a nação de moreninhos claros e escuros, passe a se orgulhar da herança negra de Zumbi dos Palmares, de Martin Luther King, de Malcom X e tantos outros líderes negros mundo afora como o quase centenário Nelson Mandela e possam cantar e gritar com a força da alma "um sorriso negro , um abraço negro, com toda felicidade e que o Brasil inteiro descubra que negro é a raiz da liberdade”. Antes éramos nós, agora somos todos escravos do sistema, da ditadura da beleza e do consumo. A escravidão não acabou, ela globalizou-se em todas as raças, credos e nacionalidades.Viva Zumbi ! Viva Palmares! Salve o 13 de maio! Data esquecida pela maioria dos próprios negros, porque agora se comemora o Dia da Consciência Negra. Negra é a consciência dos racistas e discriminadores raciais e sociais.

A dinastia da democracia ou a democracia da dinastia??

A dinastia da democracia ou democracia da dinastia ??

Francisco Sampa

Texto publicado no B.Press dia 23 de Jan de 2008

Ela surgiu na Grécia, há milhares de anos. Uns adotaram por conveniência e outros por convicção e idealismo. É maltratada, surrada, usurpada nos seus princípios e muitas vezes deturpada em seu significado. Uns afirmam que democracia significa algo como a máxima: “quem sabe manda, quem tem juízo obedece”, e por aí vai o rosário de interpretações, dependendo do interesse político e momentâneo de cada um e a lei, cada um interpreta à sua maneira. Na América, ela nunca esteve tão, digamos, sossegada como nos últimos anos, apesar dos Chavez, Ortegas, Morales e Castros da vida. Nos anos 60, 70 e meados dos 80 ela sofreu mais do que muletas em sovaco de aleijado: a cada 24 horas surgia um novo presidente, um general acordava com vontade e sede de poder, o corneteiro dava o toque de reunir e pronto: lá estava toda a milícia no poder, usurpando em nome do povo e do progresso. No Brasil, não foi diferente. Os coturnos e as baionetas passaram duas décadas ditando normas e costumes, censurando, prendendo e arrebentando. Uns viveram pela pátria e outros morreram sem razão.Na Europa e África a coitada sofre até os dias de hoje. No Oriente Médio, a coisa não é diferente. E assim a democracia, que surgiu para ser o governo do povo para o povo, vem sendo atacada de todas as formas. Aqui na grande nação do norte, uma das mais ricas do mundo, a mais poderosa militarmente, com suas seis forças armadas, o arsenal nuclear mais poderoso e eficaz do planeta, auto-intitulada defensora fervorosa da democracia, a coisa nos últimos vinte e oito anos está mais para DINASTIA do que para DEMOCRACIA.Com o atual governo do Presidente George W. Bush e seus oito anos no poder, só de família BUSH, o ciclo completa vinte anos no poder de uma mesma família. Levando-se em consideração que o pai do atual presidente George W. Bush, o Presidente GEORGE HERBERT WALKER BUSH, foi Vice-Presidente por oito anos (1981-1989) no governo de Ronald Reagan e presidente por mais quatro anos (1989 a 1993), sendo sucedido pelo Bill “I did not have sex with this woman” Clinton por oito anos, que por sua vez, como já disse anteriormente, foi sucedido pelo atual mandatário George W. Bush.Nos últimos 28 anos, apenas duas famílias ditaram as normas e o caminho a seguir nos E.U.A.. Caso a vencedora das próximas eleições neste ano de 2008 venha ser a ex-primeira dama e eterna senhora Clinton, atual senadora do estado de Nova Iorque, Hillary Clinton, durante 32 anos apenas dois clãs teriam governado o país. Como o povo deste país poderá falar ao mundo sobre democracia, renovação, se eles nestas três décadas apenas mudaram a posição dos músicos na orquestra? Afinal, é a DINASTIA da DEMOCRACIA ou DEMOCRACIA da DINASTIA? Com a licença do poeta popular brasileiro, vamos esperar novembro para que a boa nova possa se espalhar nos campos.

A tentação do continuismo

A tentação do continuismo

Francisco Sampa

Texto publicado no B.Press dia 4 de Setembro de 2008

A manifestação do prefeito de Recife, João Paulo, membro do diretório nacional do PT, em favor de um terceiro mandato consecutivo para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, reforça a tese do vice-presidente José Alencar e abre um debate, sob todos os aspectos inoportuno, para o país. Uma das características da democracia é justamente a alternância no poder, que uma eventual mudança de regras, a esta altura do jogo, iria colocar sob ameaça, pois significaria um casuísmo incompatível com os avanços institucionais registrados nas últimas décadas. O parâmetro para esse debate intempestivo, portanto, deveria ser uma das manifestações feitas pelo presidente da República ao ser confrontado com a possibilidade, alegando que "não se brinca com a democracia".Infelizmente, ou as manifestações públicas do presidente de rechaço à possibilidade não têm tido a necessária veemência, ou os partidários da idéia acham que ela se impõe de forma inevitável, além de ser propícia para desviar as atenções sobre questões incômodas para o governo. Uma delas é que, apesar de o presidente da República conseguir exibir hoje índices de aprovação equivalentes ao de quando assumiu o cargo e de a economia passar por uma fase que lembra a do chamado milagre econômico, não há um nome forte no PT para dar continuidade ao projeto atual. Algumas das alternativas, como os ex-ministros José Dirceu e Antonio Palocci caíram em desgraça e a ministra Dilma Rousseff se encontra às voltas com a polêmica de um suposto dossiê sobre gastos do governo Fernando Henrique Cardoso.A particularidade do atual governo estar respaldado pela maioria da população e de, em tese, contar com maioria no Congresso, para aprovar uma emenda constitucional alterando normas da eleição, não o autoriza a buscar esse caminho. O Brasil não pode se submeter a uma mudança de regras cada vez que um grupo político eventualmente no poder considerar a idéia conveniente.Ainda assim, o prefeito de Recife insiste na tese de que "o terceiro mandato de Lula é o plano A, Dilma é o plano B e o plano C é quem Lula indicar". A insistência na tese deixa evidente que está em curso uma tentativa de quem gravita em torno do poder de se manter nele. A sociedade precisa ficar atenta à essa ameaça.

LI NO JORNAL

LI NO JORNAL


Francisco Sampa

Texto publicado no B.Press dia 3 de maio de 2008

Leitor assíduo da maioria dos jornais brasileiros, não fiquei nem um pouco estarrecido ao ler o texto que resolvi trazer ao conhecimento de vocês meus prezados amigos e leitores, que todas as semanas lêem esta coluna de opinião em todo os Estados Unidos da América do Norte. Publicada em um dos maiores jornais brasileiros, reflete a realidade das coisas e dos fatos na nossa pátria amada gentil. Terra de miscigenação, mas que ainda impera de forma explicita e levada muitas vezes para debaixo do tapete o nosso...Racismo à brasileiraDomingo. Morumbi. São Paulo contra Noroeste. Após fazer dois gols no time de Bauru, o tricolor cede o empate. Vexame. Torcida irritada. Torcedor troglodita xinga o juiz de todos os nomes. Depois, urra um "macaco!" para defensor negro do Noroeste. Alguns se constrangem, mas ninguém protesta, até porque só tem branco nas cadeiras numeradas. O Brasil é racista. Negros são 13% da população dos Estados Unidos. Negros e pardos são 50% da população do Brasil. Os EUA são mais racistas que o Brasil, reza a lenda. Mas qual dos dois gigantes americanos está mais perto de eleger seu primeiro presidente negro? Sim, o país de Lula é mais racista que o país de Bush (e Obama). Pode não ser um racismo institucional, explícito, como já foi nos EUA. Mas somos mesmo um país desinstitucionalizado, nosso racismo, como nossa economia, é informal. Enquanto EUA e África do Sul colocaram em leis e placas sua discriminação contra os negros, explicitando seu racismo hediondo. No Brasil, ele quase sempre foi dissimulado, tanto que chegamos a nos ver como uma 'democracia racial'. Balela. Mais provas? Salvador, maior metrópole negra fora da África, nunca elegeu prefeito negro. Nova York de maioria branca, sim (David Dinkins, 1990-93). O Brasil não tem nenhum embaixador negro nos quadros do Itamaraty. Os EUA têm vários. Seus últimos dois chanceleres foram negros: Colin Powell e Condoleezza Rice, dois nomes-chave do governo Bush. Aqui, na editoria de Dinheiro, já buscamos algumas vezes executivos negros nas corporações brasileiras, para que relatem sua experiência no mundo ariano em que vivem. A dificuldade de encontrá-los é enorme e seus relatos são desoladores. Entre nossos banqueiros então, nem vale a pena procurar. Já um dos bancos mais importantes dos EUA, o Merrill Lynch, foi presidido por seis anos, até 2007, por um afro americano, Stanley O'Neal. As razões para a desvantagem dos afro-brasileiros em relação aos afro-americanos são complexas. Fincadas nas ineficiências de nossa democracia, de nosso sistema educacional e de nosso travado ambiente de negócios, que estanca a mobilidade social. Já nos EUA, a eficiência da democracia e, principalmente, o dinamismo econômico criaram oportunidades para a população afro-descendente, que ainda vive muito pior que os brancos e mesmo outras minorias, mas estão bem melhores que os afro- brasileiros. São mais cidadãos. Sim, há mais miscigenação racial no Brasil, enraizada na pré-história do país. Enquanto a colonização norte-americana foi uma empreitada familiar, a brasileira foi forjada por portugueses solteiros que procriavam com a população original do “novo” continente. Depois com as escravas africanas. O Brasil foi o maior importador de escravos das Américas. Levou ao continente, segundo cálculos acadêmicos, sete vezes mais africanos que os EUA. Quando tardiamente abolimos a escravidão, em 1888, negros e mestiços eram maioria no país. Levando nossa elite racista, nos anos de 1930, entusiasmada com o racismo “científico” em voga na Europa, a adotar política de imigração para atrair mão-de-obra branca européia, barrando africanos e chineses e enfraquecendo nossa negritude. A miscigenação racial continua até hoje (mas nunca entre a elite branca), dando a impressão de democracia racial. Falso. Agora não sabemos desfazer essa verdadeira herança maldita da escravidão, que mesmo no século 21 permanece escancarada, embora não institucionalizada, como prova o grito impune no Morumbi. É um dos maiores desafios do Brasil. Bem espero que tenham gostado. Como puderam perceber, não é só aqui que tocamos neste assunto. No Brasil as cabeças pensantes também se preocupam com o tema, que merece uma ampla discussão e ação por parte da sociedade brasileira. A todos uma boa semana.

DEUS SALVE A RAINHA... E ELA QUE NOS RESPEITE

DEUS SALVE A RAINHA... E ELA QUE NOS RESPEITE

Francisco Sampa

Texto publicado no B.Press dia 20 de Agosto de 2008

Há séculos os ingleses dominaram os Sete Mares com seus canhões e navios piratas. Senhores acima do bem e do mal, às turras com seus vizinhos franceses, os ingleses sempre estiveram no meio de qualquer confusão no decorrer dos séculos. Como a onda de escândalos anda meio em baixa na Inglaterra , não tem plebeu comendo nobre e vice-versa. O povo de sangue azul sempre oprimiu os chamados terceiro mundistas. Espalhou colonias em todas as partes do mundo e dizimou florestas e povos.De uma forma ou de outra oprimiu, trepudiou e fez o “escambau”, tudo em nome da civilização e dos costumes da terra de My Lord. Assim, até hoje mantêm as Malvinas pela força. Sairam da Índia depois de muito sangue e por aí segue a carruagem: África, Ásia, Oriente, Meio-Oriente e América do Sul e Central. Até aqui já tiveram 13 colônias. Recordem o 4 de julho de 1776. Caso não saibam do que se trata é só dar um pulinho ali na Philadelfia às margens do Delaware. Lá está a imagem com os fatos do tempo de anos atrás. Pois bem. Voltando ao nosso assunto, os ingleses por falta do que fazer ou talvez excesso de zelo, querem plantar nos aeroportos brasileiros agentes do serviço de imigração para dizer se nós, povo soberano há quase 186 anos, poderemos ou não sair de nossa casa e ir ver a troca da guarda do castelo da rainha. Isso é um absurdo! Um delírio! Onde estamos??? Em qual século estamos??? Quem somos??? Quem eles acham e pensam que são??? Os ingleses estão “viajando na maionesse”. Acham que somos negros, pobres e atrasados. Que a independência foi um jogo decena de um príncipe garanhão, montado numa mula e com mania de gritar “Independência ou Morte!”. Se é que realmente ele gritou mesmo. Bom senhores discípulos da rainha ou seja dos diabos que os partam em mil pedaços com suas ilusões colonialistas. Somos uma República Federativa e independente. Saimos quando e como queremos. Iremos pra onde quisermos. Não serão vocês nobres de sangue azul que ditarão asnormas em nosso país e colocarão guardas em nossos aeroportos para controlar o direito legal e constitucional de ir e vir de um cidadão brasileiro, seja pobre ou rico, branco ou negro. Esta idéia é uma das mais idiotas. Só serve para mostrar que temos de nos manter sempre alertas como escoteiros da liberdade. Já que sempre tem um idiota de plantão, nobre ou não, usando o poder de um cargo na tentativa de oprimir povos e países em nome da estabilidade econômica e do direito de auto proteção. Este cidadão inglês que teve esta infeliz idéia de mandar agentes da imigração da Inglaterra, para controlar a saída de brasileiros em direção ao Velho Mundo é uma piada de tremendo mau gosto e que sirva de alerta aos ricos, que sempre querem manter os pobres à distância, mesmo precisando deles para ter uma mão-de-obra barata e fácil de ser explorada.Pois é amigos, os europeus a cada dia mostram que são xenófobos e mal-agradecidos. Quando saíram da Europa com um pé na bunda fugindo da fome e da miséria que assolava o Continente e toda a violência da qual foram e ainda são vítimas, foi o Brasil que lhes deu casa e guarida. E naquele tempo éramos bem mais pobres e atrasados que nos dias de hoje. Portanto senhores de sangue azul, exigimos respeito à nossa soberania, que foi conquistada com muita luta, suor e sangue de um povo livre, trabalhador e altaneiro, que acima de qualquer coisa vive, luta e morre com o orgulho de ser brasileiro.

O NOVO VELHO NOVO

O NOVO VELHO NOVO

Texto publicado no B.Press dia 02 jan de 2008

Há exatos 365 dias, o velho era novo, cheio de vida e esperança. Nascia cheio de garra para enfrentar o dia-a-dia e as coisas que viriam pela frente. E foram muitas coisas: alegrias, tristezas, nascimento, vida e morte. Como tudo na vida passa e tem o seu fim, assim aconteceu com ele, como irá acontecer com todos nós. É um ciclo, uma roda sem fim; nascer, viver, morrer, nascer, viver, assim é com o ano. Os animais racionais ou não, todos têm o seu começo meio e fim. É um processo necessário para preservação da espécie e da vida. Todos já nascem com data de vencimento certa, ou com a certeza de que um dia ela chegará e nós, os seres vivos, humanos ou não, um dia nos depararemos com a data do nosso vencimento. É bom estarmos preparados com o passar dos anos, pois quando o dia do nosso vencimento chegar, pode ser o início de uma nova fase, uma nova era, sobre a qual não temos conhecimento. Para uns será o fim, para outros o inicio de uma nova vida. Vida? Existe vida depois da morte? Se existe vida depois da morte? Não existe morte. E agora, como indagou o poeta,”como fica, José”? O ano de 2007 se foi, mas outros setes virão, este sete para nós, imigrantes, ficou marcado como o ano em que o sonho e esperança se transformaram na frustração de uma lei que viria para mudar a vida de muita gente em várias partes do mundo: o impedimento à nova lei da imigração. Se foi por vontade dos republicanos ou democratas não importa, a única certeza é que a lei não saiu, o dólar caiu, o Euro subiu, o Real valorizou, e o povo da terra Brasilis começa lentamente, a ver no horizonte o que deixou para trás.Por mais que queiram negar, o fato esta aí em nossas barbas. As malas estão sendo afiveladas e nossos irmãos, ricos ou não, missão cumprida ou em vias de... Retornar à terra que nos viu nascer onde nasceram nossos pais, sonhos e frustrações, nossos amigos e nossos delírios. Muitos duvidam do sucesso da volta. O bom filho à casa torna, é o dito popular, mas que não explica se ele volta com o bolso cheio ou vazio. Uns estão voltando para uma nova velha vida, outros simplesmente voltando para a vida, juntos aos amigos da rua do boteco no fim de tarde, da pelada aos domingos, da balada e do pagode. Rever a família, a rua que ficou para trás, o cachorro que sorrira latindo, e a certeza que voltou para o lugar que ama ao lado dos seres amados.2007 se foi, e com ele muitos de nossos compatriotas, mas nós continuaremos por aqui, lutando, vivendo, ajudando no que for possível aqueles que precisarem de um auxílio para resolver uma questão, seja de fato ou de fé, aos que ficaram e aos que foram, nossos votos de felicidade, saúde e muita paz. Que este ano que ora se inicia traga em seu seio realizações para a nação imigrante. Que a esperança não se perca em uma lei, a esperança está em Deus nosso pai. Já aos que voltaram e estão voltando, desejamos muito sucesso, e aos que ficam muita paciência e perseverança. Dias melhores virão, basta ter fé. ontem já é historia, agora é o presente. O futuro é uma astronave que podemos pilotar, nosso destino, assim como ano que se foi, será cumprido. Nossa meta será alcançada, não importa se na terra do Tio Sam ou na Terra Brasilis, o novo se tornará velho e voltará a ser novo outra vez, assim é a vida, reciclando rumo ao infinito. 2008 chegou, queira o bom DEUS que ele venha repleto de coisas boas, por que com certeza daqui a 364 dias será o velho da vez. Feliz ano novo ao povo imigrante, povo forte e guerreiro,que não importa em qual terra esteja, carrega no peito o orgulho de ser brasileiro.

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

O Rei Mandou e o Povo Calou

REI MANDOU E O POVO CALOU

Texto Publicado dia 5 de dez de 2007 no B.Press

Francisco Sampa

Pelo menos por enquanto o caudilho bufão petroleiro da América do Sul deverá ficar calado por algum tempo. Depois de perder o referendo no último domingo por uma pequena margem de votos, o fanfarrão Hugo Chávez ainda teve fôlego para repetir uma frase que proferiu há 15 meses atrás na época do mal fadado golpe contra o seu governo: " Por enquanto não foi possível". Isso deixa bem claro que o filhote e protótipo de ditador deverá voltar a carga para atingir seus objetivos de plenos poderes na República Bolivariana da Venezuela.

O resultado do último domingo serviu como uma lição aos discípulos deste senhor que tenta pela força impor seus sonhos de poder eterno com sua atitude de mudar 69 artigos de um total de mais de 300 da constituição venezuelana. Fortaleceu o movimento estudantil que foi às ruas e levou com ele as camadas mais humildes da população do país. Agora Chávez tem contra ele não só as classes mais abastadas do país, mas tambem os pobres miseráveis esquecidos que o chamavam de EL PADRE DEL PUEBLO.

De pai do povo este espertalhão, discípulo do vitalício falador ditador Fidel Castro, não tem nada. Este senhor, junto com o índio boliviano EVO SEM MORALES (que vive a todo momento mudando os acordos firmados com os demais países dentre eles o Brasil, vide o caso Petrobrás),e com o centro americano e sandinista Daniel Ortega, presidente da Nicáragua são um perigo para as relações no continente e para a democracia mundial. São homens como estes que põem em risco a estabilidade e o progresso das nações abaixo do Rio Grande. São pessoas como estas que fazem com que o continente sul-americano seja um paraíso das repúblicas de bananas, que lutam por um ideal para chegar ao poder e quando chegam fazem de tudo para se perpetuarem no mesmo.

Em pleno século 21 muitos políticos em várias partes do mundo comportam-se como se estivéssemos nos tempos das caravelas,esquecendo-se que a democracia inventada pelo gregos é um sistema milenar que tem sido de suma importância para a evolução da humanidade através dos tempos. Mas toda esta onda em torno do Caudilho Chávez, que devia ser personagem da série Chapolim Colorado, tem sido útil para o Brasil. O Presidente Lula, raposa política, criado nos sindicatos da vida nos austeros tempos da ditadura, tem sabido tirar proveito de todo este reboliço e marcado cada vez a liderança do Brasil junto aos Estados Unidos e outros países do mundo.

Diante de tudo isto só resta dizer '' Pai Afasta de Mim este Chavez...” e a todos os caudilhos como disse El Rei de Espanha, que ecoe um sonoro e estridente, "Cala Boca, Chavez!".

Xenofobos e mal Agradecidos



XENOFOBOS E MAL AGRADECIDOS

Texto Publicado no B.Pres dia 23 de julho de 2008

Francisco Sampa

Dedico este artigo aos senhores europeus, de peles brancas e olhos azuis, classificados sabe Deus porque de povo de sangue azul, apesar de ser tão vermelho quanto o nosso. Independentemente da cor eu estou é roxo de raiva com as duras medidas adotadas pela União Européia em relação à imigração. Uma reação no mínimo curiosa, visto que décadas atrás eles é que eram os estrangeiros em busca uma vida melhor na Terra Brasilis.

Nos estertores do século 19 e meados do século 20, a situação na Europa era algo digno de pena. Muitos países do velho continente viviam em situação de lamúria, fome, doenças (vide a febre espanhola que dizimou milhares de pessoas no mundo, inclusive no Brasil), falta de emprego e de perspectivas de uma vida promissora para as futuras gerações. Levados pelas boas novas desde os tempos do descobrimento, esta gente fugiu das desgraças do velho continente imigrou para o continente americano.

E assim já se passaram quase 200 anos desde a imigração mássica dos europeus para fazer a América. Todos em busca de uma vida digna no novo mundo, um mundo tropical num país chamado Brasil, segundo a santa ignorância de muita gente mesmo nos dias de hoje, terras de cobras, jacarés, índios e macacos.

Pois bem, este povo que um dia fugiu do culto e civilizado velho mundo, segundo nos ensinaram nos toscos bancos escolares da nossa pátria amada mãe gentil, adora nos rechaçar como se fôssemos uma peste ambulante, o vírus da Aids de passaporte verde, com ginga de sambista e jogador de futebol.

Quando este povo teve de abandonar sua terra com o rabo entre as pernas feito cão sarnento, com seus medos, traumas e muitos portando todo tipo de doenças, nós os acolhemos no seio da terra brasilis. Foram os italianos, alemães, austríacos, poloneses, albaneses, russos e muitos os outros “eses” que ocuparam os rincões do sul brasileiro.

Este povo xenófobo esquece de todo um passado, onde nós, pobres e desnutridos brasileiros - segundo eles e um lado triste da nossa realidade - recebemos esta gente em nosso país dando-lhes casa, comida, abrigo, carinho, muito calor humano, tudo o que um ser humano necessita para sobreviver e viver com dignidade. Pois bem, esta gente de memória curta e mal agradecida hoje simplesmente nos bate com a porta na cara, com medidas contra a imigração estrangeira, principalmente a brasileira.

Quando eles estavam no fundo do poço, com a água batendo na bunda, doentes e com fome, fomos nós os “atrasados”, os "subdesenvolvidos”, que lhes demos guarida. Agora temos o pagamento, feito porco ruim, eles chutam o cocho onde foi saciada a fome e a sede dos antepassados. É, em menos de 120 anos eles esqueceram tudo, cegos pela necessidade de sobreviver e pelo espírito xenófobo que sempre tiveram dentro de si. A Europa nunca teve paz, não sabe o que é harmonia, sempre viveram um tentando tomar o pão do outro.

Dizimaram florestas em todo o mundo, dominaram e destruíram civilizações, os maias, os astecas, destruíram parte da África e teve um destes europeus que promoveu um dos maiores desastres do século passado: o holocausto. Afinal Hitler era europeu, ou será que ele era um brasileiro?

Com este novo pacto de imigração e asilo proposto pela França e aprovado informalmente neste mês pela União Européia (EU), a votação oficial acontece em Outubro. No ano passado 9.410 brasileiros foram barrados nos aeroportos da Europa. É hora de tomarmos vergonha na cara e unidos lutarmos de todas as formas contra o vento frio da xenofobia, pois esta gente que hoje nos rechaça um dia já bateu em nossas portas pedindo guarida. Eles esqueceram o passado histórico. Depois da segunda guerra mundial, invadiram o Brasil, em busca de vida, como dizem os americanos, tentando salvar o próprio rabo que estava pegando fogo...

E agora, em nome de uma falsa resposta para os desafios da economia e da sociedade, revelam sua verdadeira identidade, ocultada antes sob a máscara da civilidade do chamado primeiro mundo: a de xenófobos e mal agradecidos.




Mais de 50% do POLLVO não quer LULLA

Mais de 50% do POLLVO não quer LULLA

Texto publicado bo B.Press dia 10 de out.2006

Francisco Sampa

No cardápio das eleições frutos do mar não está em alta como diziam as pesquisas, pois a maioria do pollvo não quer Lulla, no jantar do planalto em 2007. Principal produtor do teatro dos horrores que tomou conta da sociedade brasileira nos últimos 4 anos, (o mister nine fingers), que nada sabe, nada ouve, nada ver e nada tem a dizer, me faz lembrar dos macaquinhos, os gênios da sabedoria. Ele insiste e permanece alegando inocência, coitado foi iludido por todos os amigos fiéis, os assessores "honestos", e elle lá, jogando todos para os lados e empurrando com a barriga, que agora está menor que há 4 anos atrás. Nós, o povo iludido da República Federativa do Brasil, como se todos estivéssemos em um país do faz de conta, um grande sítio do pica-pau amarelo, da cuca ao saci não falta ninguém no mundo do faz de conta do Sr. Lulla. De real, além da moeda, temos um pib fraquinho, perdemos até para a argentina as esmolas do governo para os pobres e miseráveis do nordeste. Em Roma era ao povo pão e circo, com Lulla é: embolsa família, pão, circo e forró no ritmo do xaxado, do baião e do xote, num autêntico forró pé-de-serra. Ele e sua corja desmentem a tudo e a todos, a pilha de dinheiro tá lá, reais e dólares, arapongas desastrados, malas de dinheiro, dinheiro na cueca, mensalão, sanguessugas. É O LULLA BABA E SEUS 40 ASSESSORES: ZE DIRCEU,ZE GENOINO,RICARDO BERZOINI,VALDEBRAN PADILHA, GEDIMAR PASSOS,
EXPEDITO SOARES, JORGE LORENZETTI, HAMILTON LACERDA,ANTONIO PALOCCI. Bem, a lista é grande vamos ficando por aqui, eles nada sabem nada viram, parte dos dólares, passou por Ribeirão Preto, e agora tem um novo fantasma a rondar o planalto, é o corretor de valores Alcindo Ferreira cujo nome leva a uma possível conexão Ribeirão Preto, terra de Palocci. Será mera coincidência, os negócios entre a família Palocci, o corretor e o PT?.

E agora seu Luiz? O que o senhor vai nos dizer neste segundo tempo? Já descobriu de onde veio a grana? É dinheiro do povo? Seu Luiz como se diz lá em Pernambuco, Estado onde nascemos, seu governo está mais furado que balaio de vendedor de manga, vocês estão mais sujos do que corda de amarrar porco, nós os nordestinos, meu conterrâneo, somos pobre, famintos, sedentos , mas não somos burro não, visse. É bom que você nunca se esqueça que a rapadura é doce mas não é mole, mas que derrete com certeza derrete e a tua tá toda melada. Pare de mentir para o povo, mostre a cara, dê nome aos bois e aos bodes, porque estamos cansados das narigadas do Pinocchio, ou tu conta a verdade e leva o povo para o teu lado dando uma lapada neste bando de cabra safado de paletó e gravata ou nós, o povo vamos te dar uma lapada virtual no próximo dia 29 e com certeza vai doer e muito.

Mas enquanto não chega o dia 29, vamos nos preparar porque Elles estão de volta, Collor de Mello no lugar da Heloisa Helena, assim profetizou o professor Zangoban, “Oh destino meu Deus”, Paulo Maluf, e alguns mensaleiros de plantão, com certeza vai rolar a festa no Planalto Central. Clodovil e seus modelitos, Frank Aguiar e seu gritinho forrozeiro...uauuu, costureiro, e outros eiros, mais uma autêntica comedia humana no Congresso Nacional quase que divina, de um lado os mensaleiros e alguns sanguessugas, na platéia com cara de mané, nós o povo, coisas de um país chamado República Federativa do Brasil, como dizia aquele personagem do Jô Soares na década de 70 na rede plim plim, Madalena, meu bixim, tu não quer que eu volte?

DA MISCIGENAÇÃO A ELEIÇÃO 2006

DA MISCIGENAÇÃO A ELEIÇÃO 2006

Texto publicado no B.Press dia 27 de Set. de 2006

Francisco Sampa

Somos índios, negros, brancos, cafuzos, mamelucos, caboclos, temos a pele queimada de um sol tropical, das serras das gerais, as praias de Pernambuco, nos pampas do sul, nos Igarapés da Amazônia, somos pacíficos, para uns até demais, somos um povo sofrido, mas com uma fé inabalável no criador,cantamos e dançamos, pedimos que a liberdade abra as asas sobre nos, que nas lutas e nas tempestades possamos ouvir a voz, do morro as vozes do povo, de todas as classes, da miscigenação de todas as matizes, têm história muitos já não se lembram mais, outros nem ao menos ouviram falar: Balaiada, Sabinada, Guerra dos Mascates, Farroupilha, A Inconfidência Mineira, movimento M.M.D.C, 0 31 de Março de 64, tantas lutas e muitas glórias, pela liberdade, pela república, pela pátria amada mãe gentil, pelo povo de Zumbi, pelas glorias do Brasil.

Ele como boa parte de nós os nordestinos fugiu, de uma triste seca e pobre realidade, da terra dos coronéis, seus engenhos e currais eleitorais, como todo cabeça chata, e assim que nos tratam no sul do Brasil, chegou a grande e prospera metrópole paulista, com um sonho, vencer a pobreza, décadas se passaram e o retirante do sertão de Pernambuco viu o sonho realizado, e há quatro anos, no Planalto Central em um Palácio, construído por candangos foi empossado, o nordestino pobre semi-alfabetizado, assumia a presidência da Republica Federativa do Brasil.

Promessas foram feitas, os anos se passaram, e aqui estamos na reta final de mais uma eleição, tudo ia bem até que de repente surgiu o dossiê, para os partidários do presidente o maldito dossiê, e agora seu Luiz? Como fica a situação? A oposição já sabemos como está. Neste governo "honesto", gerido pelo partido onde uma boa dose de dirigentes e afiliados e corruPTa tivemos: Cuecão, Mensalão, Vampirão, Sanguessugão e muitos outros ao, e o homem simplesmente diz eu não sei de nada, se ele não sabe, quem sabe, rodeado de mortos vivos, Zé Dirceu, Delúbio, Silvio Pereira, e outros que agora estão em pauta, com certeza um dia eles vão abrir a boca, e quando abrirem será um Deus nos acuda, eles não tinham dinheiro para pagar funcionários do partido, aluguéis de salas e outras despesas, mas de repente em um passe de mágica, a policia federal, prende um militante do partido com quase dois milhões de reais em dinheiro vivo, reais e dólares cash, e agora ninguém sabe de onde veio a grana, e nós o povo, pobre sofredor e sonhador, somos obrigado a votar, ao mesmo tempo em que somos enganados ludibriados em nossos sonhos, sonho coletivo de um país decente, com governantes honestos, com homens de bens e com vergonha na cara, coisa que boa parte do povo e dos políticos brasileiros já perderam. Se o presidente nunca sabe de nada, afinal o que ele faz na presidência? Criminosos de paletós e gravatas cercam o presidente, nomeados por ele mesmo, será que ele e tão ingênuo?

Ou nós o povo, violado, enganado e abusado também somos estúpidos, roubam enganam, trapaceiam e o presidente nada viu. Só espero que esta cegueira presidencial não tome conta do Brasil, que esta endemia ocular não vire uma epidemia e nos alcance no próximo domingo, Ele tem até sábado para provar que realmente não sabia de nada em relação ao dossiê, para o bem de todos e felicidade geral da nação e bom que prove e convença a nação da verdade e da sinceridade de suas palavras, caso o contrário que a justiça seja feita, nas urnas e nos tribunais, pois chega de pasmaceira de embromação, vamos acorda nação brasileira, vamos votar vigiar, cobrar dos safados respeito por nosso voto, pela nação que somos, pelo país que temos, vamos olhar para traz e ver os mártires da nossa historia, que o sangue e a vida destes homens não tenha sido derramados em vão, sob um chão hoje manchado por desmandos, falcatruas, casuísmos, e todo tipo de aberrações dos homens públicos do nosso país, que os mamadores das tetas do governo, sejam banidos, esquartejados politicamente da vida pública, nos temos o poder de fazer isto acontecer, nós temos o voto e a força nas pontas de nossos dedos, ao apertamos o botão das urnas. O botão da luz verde, que brilhe a luz verde da esperança, do seguir para frente rumo a um futuro digno para todos nos, que o verde das nossas matas e da nossa bandeira não sejam manchados pelo vermelho da vergonha das nossas caras nem tão pouco do nosso sangue, sangue de um povo, que tem o desejo e merece ser feliz e respeitado, dentro e fora do país, somos quase 200 milhões de brasileiros, não é justo que nenhum homem nos exponha ao ridículo, somos filho orgulhosos da Republica Federativa do Brasil, um pais independente com 506 anos de historia lutas e glóriaS.•

A nau dos explorados

A nau dos explorados

Francisco Sampa

Ela navega no mar da ambição, nas ondas da ganância, pelas sombras do gueto, seus tripulantes são donos de restaurantes, companias de construção, proprietários de casas, agências de venda de carros, viagens e pseudos notários públicos do burgo, patroas gananciosas com suas “companhias de limpezas”, despachantes mal intencionados com seus serviços ilegais, venda de documentos falsos e pasmem até alguns advogados.
O brasileiro , imigrante, ilegal ou não, vive nos dias atuais um drama que merece uma reflexão e até um estudo mais detalhado desta situação, afinal todos chegamos aqui com o propósito de melhorar de vida, ter e dar dias melhores para os nossos descendentes, lutar contra as tais injustiças sociais das quais nos julgamos vítimas na sociedade brasileira, mas boa parte dessa leva de injustiçados, brasileiros auto-exilados, não estão a medir mãos na conquista do “American Dream”, e por um punhado de dólares , transgridem todas as leis, as dos homens e as de Deus, pois o que importa é a roupa de grife, um bom carro, a mesa farta e um bom patrimônio aqui e na terra que ficou para trás. Solidariedade só na hora da morte, o medo substitui o respeito, os valores se invertem e no alpinismo sócio-comunitário, muitos preferem ter do que ser, esquecendo-se que um é de ordem material e o outro psico-espiritual, quase que eterno e segue conosco mesmo depois desta fase que chamamos de vida carnal.
Em nosso mar de sonhos, lágrimas , alegrias e muita luta, seguimos a bordo do nau em busca de novos mundos, os exploradores de almas e gente em busca de novos explorados, ao contrário das caravelas dos grandes descobridores, ela e seus tripulantes viajam nas sombras do gueto em busca de novos veios, sugando o sangue da veia de cada imigrante recém chegado, e o suor que escorre pela face, a cada banheiro que é limpo, a cada “two by four” que é pregado, a cada P.F que é servido, pois este é um raro momento do encontro dos explorados que estão atrás do balcão e daquele que com um prato de comida tenta saciar a fome e num copo de cerveja a sede de carinho, de amor, afogar as mágoas e a saudade, do pai, da mãe , da mulher amada e dos filhos que ficaram para trás. Nesta terra de neves, parques e oportunidades, ele, imigrante sonhador, está em busca da sua, sobrevivendo a cada dia e morrendo a cada instante por um punhado de dólares, verdes com a esperança, mas que quando chegam às suas mãos estão manchados de sangue e molhados de suor.
Neste mar de ambições e ganância, como piratas de uma nova era, explorados e exploradores seguem rumo à linha do horizonte em busca do pote de ouro no fim do arco íris. Que pairem sobre todos nós as bênçãos dos céus neste oceano de vaidades, ambições, ganâncias e desejos sem limites, que os tripulantes desta nau recordem do passado não muito remoto, onde muitos deles também eram passageiros...e que os passageiros de hoje não se tornem os tripulantes exploradores do amanhã, que está tão próximo.

Franciscco Sampa
Grumete do barco da vida.

God Save The Emigrants

terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

Castelo, Casa Grande e Favela

Castelo, Casa Grande e Favela


Francisco Sampa

Seguindo a lei de Lavoisier peço licença ao meu conterrâneo Gilberto Freire e dou uma leve plagiada em seu livro Casa Grande e Senzala.
Hoje a coisa é assim mesmo: castelos, casas grandes e favelas. Por toda parte e por todo o Brasil a desigualdade é um mal necessário e faz parte da história da humanidade, mas da forma como ela existe e perdura em nossa pátria mãe gentil é algo que nos dá nojo e simplesmente abominável: uns com tanto, milhares, milhões e outros à míngua nas grotas e nos barracões outrora de zinco no morro e fazíamos uma prece, pedindo a Deus e à Virgem Maria.
Hoje os barracos não são mais de zinco, desceram os morros numa enxurrada de miséria, gente e pobreza. A realeza no asfalto com seu olhar de soslaio, só querem os pobres como míseros serviçais e lacaios.
Ao rico tudo é possível. Tudo é permissível. Ao pobre o impossível vira milagre. Lhe é negado o direito a tudo. Em muitos casos o direito de nascer, mas como pobre é coisa ruim, gente teimosa, nasce e tenta levar a vida em verso e prosa. Nos versos da vida, na prosa da morte, o pobre muitas vezes não conta sequer com a sorte, pois se sorte tivesse pobre não nasceria. Na luta do dia-a-dia só lhe resta olhar pro céu e dizer valei-me Virgem Maria.
A massa se movimenta. A massa não se agüenta. O proletário e seu curto erário reclamam e querem mais. Todos se fazem de surdo, ninguém sabe, ninguém viu e o pobre canta com brilho nos olhos: “Eu Te Amo Meu Brasil”. Ele ama, respeita e idolatra a terra que o viu nascer. O chão no qual um dia irá morrer, uns de fome, outros de bala perdida. No peito do pobre sangra uma dolorida e grande ferida. A ferida da injustiça, do escárnio, da discriminação, da gente simples que trabalha, faz, constrói e limpa a nação. A nação dos corruptos, dos fariseus, políticos hereges e de empresários ateus. Não temem a nada, só olham para cima para ver os níveis da bolsa ou do termômetro da exploração. Corrompem, roubam, tripudiam e dilapidam a nação com castelos e casas grandes. E os pobres da senzala para favela esperam que um dia a vida lhes seja bela.
O que esperam para acordar! O grito está nas ruas! Acordem senhores do poder! Acorde povo sem poder! Vocês são o poder! Vocês têm o poder! O poder de mudar. Mudar o curso do rio que chegará ao mar. O poder de lutar e reivindicar. É hora de escutar o povo, pois assim como na Bastilha poderá cair tudo de novo. Quem será o Luiz XV? Que tipo de guilhotina será usada? O povo está com fome. A sociedade está maltratada. Poderosos de plantão acordem e olhem para o céu e também para o chão. Olhem para a nação. A nação dos excluídos, dos meninos e meninas que um dia foram crianças e hoje viraram bandidos.
Roubam de todas as partes. Roubam com todas as artes. Em Brasília o rei mineiro, ops, o deputado mineiro e seus pares, ou seriam seus cúmplices, pois o corporativismo é algo vergonhoso por parte do Legislativo e de todo o Congresso Nacional. Quem tem telhado de vidro não anda com pedras na mão. O tal castelo existe há 15 anos e só agora o mundo descobriu. É que na grande metrópole de João Nepomuceno são tantos os castelos, que mais um o povo quase não nota, tamanha a quantidade de mansões e castelos no meio de moradias de gente humilde honesta e trabalhadora.
Em Paraisópolis, ao lado do pomposo e chique Morumbi o povo se rebelou, queimou e quebrou tudo o que viu pela frente. O povo vê e sente tudo, mas os ricos e os políticos são cegos e não sentem nada. A cada dia que passa a classe média e abastada é prisioneira dos seus próprios sonhos e desejos de consumo. Vivem em celas de luxo, pois é nisso que estão se transformando as casas e apartamentos das classes mais abastadas. Falta investimento na educação, na saúde e na segurança de tudo e de todos. Estamos sendo vitimas da nossa própria ambição. Vítimas do ter e vamos passando pela vida esquecendo de ser.
E assim caminhamos rumo sabe Deus para onde. Todos querem ter mais e muito. Uns corrompem, outros são corrompidos. Ambos perdem, pois quando a turba se revolta, ela cobra tudo de todos, dos explorados e dos exploradores. Na comunidade não está sendo diferente, os explorados estão afivelando as malas. Muitos já o fizeram e os exploradores estão se lamentando da falta de incautos e necessitados para serem explorados. Pois é amigos! Não há mal que sempre dure e nem bem que nunca se acabe, mas até o bem voltar, muita gente irá passar muito mal, de ambos os lados do muro, os explorados e os exploradores, tanto os daqui, como os de lá e o lado bom da crise democrática atingiu a tudo e a todos e agora é um salve-se quem puder.
Dos castelos do interior de Minas, das mansões luxuosas de paulistas e cariocas e de outras partes do Brasil, uma coisa é certa: a mão de obra que cuida e mantém o luxo com seu brilho reluzente, vem da gente pobre humilde, os explorados da periferia da comunidade. Os ricos senhores de mansões e apartamentos de luxo são os únicos responsáveis por nossos castelos, casa grande e favelas. No dia em que despertarem para essa realidade, quem sabe teremos um equilíbrio tolerável entre pobres e ricos, pois na pirâmide social são dependentes mútuos para a existência de uma sociedade coesa e com respeito pelo ser humano, independente dos cifrões que cada um tenha no bolso. Pobres e ricos são necessários para o equilíbrio da sociedade seja ela qual for. Na natureza a cobra engole o sapo para sobreviver, como ficarão as cobras no dia em que acabarem com os sapos?

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

O PACOTÃO DO SANTO OBAMA

O PACOTÃO DO SANTO OBAMA

Francisco Sampa

Segundo os especialistas de plantão em política econômica, estamos vivendo num país quebrado e divido politicamente será? Tenho minhas dúvidas.
Os especialistas do FMI alegam que os países ricos ficaram entre 1,6% e 2% mais pobres, que a economia mundial só crescerá 0,5%, um dos piores índices desde o fim da Segunda Guerra Mundial. O Brasil só crescerá 1,8%, pessimistas e realistas de plantão preveem dias negros no futuro bem próximo. Será o fim do mundo?
Enquanto isso na semana passada o mundo ficou de olho no pacotão do Presidente Barack Hussein Obama. Ele queria $825 bilhões de dólares, mas somente teve aprovado $819 bilhões. Uma diferença que, meu Deus, trará a ele e a todos nós vários cabelos brancos. Os deputados democratas votaram fechado com o presidente, enquanto os perdedores e rancorosos republicanos foram todos contra. Uma pergunta: foram contra Obama ou contra o pacote Econômico?? Pois se é para salvar a nação, gerar empregos e tirar a vaca da economia do brejo todos deveriam ser e devem ser a favor. Mas não foi isso que demonstraram os perdedores republicanos. "Cadê o fair play?". Segundo informações divulgadas, a grana será dividida da seguinte forma: $275 bilhões de dólares para cobrir a perda das arrecadações de impostos e $500 bilhões de dólares serão usados na educação e na saúde. E o resto vai para onde?
Não esperem milagre instantâneo. O presidente não é santo, é apenas um homem culto, com boa formação e carregado de boas intenções, mas não devemos esquecer as questões políticas por trás de cada decisão presidencial. Mesmo com maioria democrata em ambas as casas, as coisas não serão muito fáceis de se resolver lá pelos lados da Casa Branca em Washington. Mas para aqueles que acham que Barack Husseim Obama é santo repitam a oração, que lhes passarei, mil vezes após acordarem às 5 horas da manhã sem comer nada, de joelhos no milho e depois saiam e procurem trabalho. Se unam aos amigos e familiares, pois a situação está da seguinte forma segundo o português Jose Manoel Barroso, presidente da comunidade européia: "ou nadamos juntos ou nos afogaremos juntos", mas como disse antes vamos à oração.
Oração contra a crise

Santo Obama que estais na Casa Branca.
Santificado seja o teu mandato.
Venha a nós a vossa bondade.
Seja feita a vontade do povo, em todas as partes da terra e também do céu.
Que não falte o nosso pão de cada dia.
Perdoai Obama aqueles te ofenderam (já começaram as críticas).
Assim como nós perdoamos aos nossos credores, cobradores das nossas hipotecas.
Não nos deixei desempregados e sem casa pra morar.
Livrai-nos da imigração,
Que toda nação de indocumentados sejam legalizados.
Amém.
Pois é, o cobertor está curto, se cobre a cabeça sobra os pés e vice-versa. Portanto, como recomendou o presidente é hora de união em prol de tudo e de todos, das pessoas e dos projetos, deixarmos de lado as questões individuais e pensarmos e agirmos coletivamente.
Lá em Belém do Pará no Fórum Social, os radicalistas toscos e os 4 Patetas da América do Sul leia-se: Hugo Boca Grande Chavez, Evo Sem Morales, Fernando El Pirata Lugo e Rafael El Caloteiro dos Andes Correa soltaram a voz contra tudo e todos, sem contar a miséria, mas não abrem mão da vida nababesca que levam em suas republiquetas. Chavez comemorou 10 anos de poder e diz que não é ditador.
Em Davos nos Alpes, sumiu o luxo e os helicópteros e os poderosos beberam champanhe às escondidas, a vergonha da ostentação de anos anteriores.
Segundo fontes oficiais, aqui nos Estados Unidos, os números apontam para 4 milhões e 700 mil desempregados. O cobertor está curto ou sentiremos frio nos pés ou nas orelhas.
Como já disse em textos anteriores a esta nuvem negra que paira sobre nossas cabeças, esta nuvem ficará por mais um tempo sobre todos nós.
Mas o nome já diz, é passageira e passará. Não devemos perder a fé em Deus e em nossa capacidade de superação, afinal crise para nós brasileiros é algo familiar e comum chamamos a crise de tu e vem cá minha nega. Superaremos com a garra típica de nossa gente. Nossa capacidade de improvisação e mutação, o que eles chamam de jeitinho brasileiro, e com este jeitinho, prezados leitores cruzaremos este mar vermelho de incertezas, assim como fez Moisés com seu povo. Tenhamos a fé e a paciência de Jó, o espírito de pescador de Pedro, sejamos guerreiros como Paulo e sigamos o exemplo de Cristo: paciência, fé, benevolência, dedição, muita luta e com certeza não seremos crucificados nas cruzes das incertezas econômicas. Não esqueçamos da máxima popular "Deus dá o frio conforme o cobertor".
O governo está começando há menos de 30 dias no poder, não poderá e não tem como realizar milagres. Cabe a cada um de nós realizarmos nossos pequenos milagres em prol de nós mesmos e de todos, pois esta crise é epidêmica, mas como toda epidemia ela também terá cura e será curada e os bons tempos voltarão.
Não devemos esquecer que se hoje roemos os ossos, um dia saboreamos picanha e filé, portanto é assim neste ciclo de coisas boas e ruins. Nesta roda viva dias melhores virão e com eles a fartura de empregos e de todas as coisas que nós almejamos e um dia já tivemos ao alcance de nossas mãos e de nossos olhos.