quinta-feira, 10 de setembro de 2009

Solidão é prima das horas e irmã do tempo

Texto publicado edicao de 9 de setembro do B.Press.


Solidão é prima das horas e irmã do tempo

É caro o preço que pagamos na busca da independência, do sonho ou pesadelo americano, europeu, asiático, seja lá qual for, estejamos onde estivermos na busca do vil metal. Muitos deixaram tudo e todos para trás na busca por dias e coisas melhores. Mas afinal que coisas são estas? Nós os auto-exilados que saímos na busca do Eldorado em várias partes, pagamos um preço muito alto nesta busca. A saudade que corrói, a exploração dos pretensos empresários, outrora explorados, hoje exploradores, numa terra onde o salário mínimo é $7,25 dólares, muitos pagam $5,00, $3,33 dólares por hora e ainda querem que os pobres e miseráveis imigrantes lhes agradeçam a esmola que teimam em chamar de salário. É grande a nau dos explorados, seus tripulantes exploradores que exigem serem tratados de empresários, esquecem que um dia já estiveram remando nos porões desta nau que navega neste mar de injustiça, ganância e desigualdade.
Tudo isso leva ao sofrimento da moça simples e humilde que deixou seu lar, carinho e aconchego do pai e da mãe e hoje em terras estrangeiras sonha com dias melhores, aliás este sonho a tirou do seio materno. Hoje a moça faceira vive e sofre à espera da realização de um sonho, o sonho de Cinderela que em muitos casos se acabam à meia-noite de uma madrugada qualquer. O moço do interior e da periferia sonhou que um dia voltaria com os bolsos cheios para rever os que para trás deixou. Trabalharia feito um mouro na busca e na acumulação de tesouros, horas a fio, dias infinitos, verão de sol causticante, inverno entediante, mas de uma coisa ele tinha certeza: “Minha vida nunca mais será como antes”. Muitos conseguiram, outros estão tentando. O tempo passando. “No próximo verão eu voltarei”. Muitos verões já passaram. Muitos virão e os jovens sonhadores aqui estão à espera da grande realização. Vem o tempo, a solidão, a tristeza, a saudade das coisas simples que lá deixou e aqueles que dizem: “Estados Unidos nunca mais”. O sonho, o fracasso, a realização, a angústia. Nossos irmãos imigrantes brasileiros sonhadores, um povo lutador que tudo faz, se dedica, luta e derrama o suor misturado com o amor à vida. O povo da terra tropical, das montanhas e vales acredita, assim como o poeta, que “tudo realmente vale à pena se a alma não é pequena”, e nossa alma brasileira é grande como o universo.
Temos um coração do tamanho do mundo e como o de mãe sempre cabe mais um. Somos solidários, amigos, amantes, tristes e hilários. Somos um povo de fé, de raça e amor às coisas do criador. Vibramos com a vitória, a chuva que cai, o romper do sol numa praia deserta, o mar que nos acalenta. Somos os filhos sem rumo que saímos em busca de prumo, lutando por nós e por todos os que nós amamos e naquilo que acreditamos. Muitos estão sofrendo na solidão do tempo, no bater das horas, no passar dos dias e minutos, a espera da hora da volta de vermos nossa terra e os que deixamos para trás. Meu Deus abrevie o tempo! Nos dê acalento, pois esta triste solidão é prima das horas e irmã do tempo... Que o nosso tempo não tenha sido perdido! Tic-tac, tic-tac, tic-tac

2 comentários:

Unknown disse...

parabens pela coluna.Eu chego ate a me emocionar e o orgulho de ser brasileiro fala ainda mais alto...

Vick disse...

Lindo texto...Parabéns!!!!Conseguiu expressar a verdadeira vida de tds os que se aventuram em busca de dias melhores...Assim como o Júlio tb me orgulho muito de ser brasileira!!!!
Vick