So long Michael we’ll see you later brother
Ele começou aos 5 anos de idade e aos 10 já era sucesso em todo o mundo. Começou a sua carreira solo em 1970, ano em que nós brasileiros comemorávamos o Tri de futebol no México. Arrebatou milhões de fãs ao criar um novo estilo que uniu canções e refrões fáceis de serem repetidos. Um estilo com muita musicalidade e dança, tudo o que nós jovens dos anos 70 queríamos, os rebeldes com e sem causa em plena ditadura.
Em 1972 foi eleito o melhor vocalista masculino do ano pelo trabalho realizado no disco “Got to Be There”. Muitos de nós, hoje cinquentões, amamos, sonhamos, sofremos e tivemos momentos de rara felicidade sob a trilha sonora dos sucessos do “black and white boy”. Foram anos de sonhos de uma juventude sem Net, Ipod, Twitter e outras coisas cibernéticas. A matine de domingo, a azaração na praça, entrar de penetra nas festas, namorar escondido sem pegar na mão e dançar ao som dos LPs de Michael Jackson.
O tempo passou, a idade chegou e aqui estamos nós cinquentões a lamentar com pesar a perda desta grande estrela da música pop. Para o mundo pop a morte dele foi o 11 de setembro no show business. Tudo parou, mas a vida há de continuar para os que ficam. Michael não nasceu, como um astro, ele brilhou na terra. Dos seus 50 anos, 45 foram passados sob as luzes da ribalta, holofotes multicoloridos e palcos onde ele foi o iluminado. Segundo ele mesmo disse uma vez: “não saberei viver sem os aplausos e o público de pé me ovacionando”.
O menino que nunca foi criança, nunca correu, brincou, caiu e se machucou. Seus traumas e “neuras” o fizeram diferente de todos os mortais. O homem menino, o bailarino frenético imitado por todos. Um homem que estreou na vida e que mesmo cercado por todos vivia na solidão do tempo e das horas na busca da infância perdida, pois enquanto muitos aos 21 anos buscam um lugar ao sol, ele era o próprio sol do mundo pop, um astro que brilhará mesmo depois desta fase que chamamos de vida, porque sua obra está imortalizada em várias partes do mundo. Sua música atravessou fronteiras e regimes democráticos ou totalitários e no mundo do show business e da música pop ele instalou seu reinado.
Ele foi o rei que não deixou sucessores, o Rei Michael, que desde a infância liderou os Jacksons e conquistou o mundo com sua dança e seu canto, como um canário do reino livre, cantando e dançando em todos os lugares. O mundo sente, o povo chora. Lágrimas brotam nas faces das pessoas de todas as raças e idades no adeus final a um menino que não cresceu. O filho do metalúrgico e de uma dona de casa que fez o mundo parar por doze dias com tristeza e um olhar no horizonte na busca do sol em um melancólico poente de uma vida de luz e muito brilho sob o ritmo alucinante de sua dança com passos bem marcados, como uma caminhada na lua, seu ”moon walker”.Até um dia estrela. Até um dia astro rei do pop. Nós, os velhos jovens de 50 que fomos seus contemporâneos, só nos resta dizer: descanse em paz onde você estiver, “so long michael we’ll see you later brother”.
quarta-feira, 8 de julho de 2009
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