sexta-feira, 24 de julho de 2009

Nunca digas desta água não beberei

Texto publicado no Brazilian Press Edicao de 22 de julho de 2009

Nunca digas desta água não beberei

Tarde de segunda-feira. Dirigindo no caótico trânsito de São Paulo a caminho de uma reunião paro no farol. Ônibus lotado à minha esquerda. Por um segundo olho para dentro do coletivo e vejo o semblante do povo batalhador, muitos deles migrantes sonhadores, nordestinos como eu, gente que veio para a maior cidade do Brasil, uma das maiores das Américas e do mundo buscando construir um sonho.
Assim como a maioria de nós que deixamos o Brasil tentando realizar o sonho americano, o menino faz malabarismo no farol. O guarda acena para o trânsito andar rápido, como o guarda manso da novela. O vendedor de coco com seu facão prepara mais um para o freguês. A moça fala ao celular. Um senhor de cabelos grisalhos como os meus, coça a cabeça e com olhar pensativo ao ver o meu olhar para dentro do coletivo, cumprimenta com aceno amigável, tradicional, aquele que usamos para saudar um estranho com um leve levantar e abaixar de cabeça.
Sozinho na multidão, perdido no trânsito ao volante de um carro popular, começo a pensar na moça, no menino, no vendedor de coco, no guarda manso e no povo que passa na calçada num incessante vai-e-vem em busca do suado e sofrido pão de cada dia. Penso no que eles acham das “sarneydesas” do José, dos atos secretos da “Casa dos Horrores” do Planalto Central, ops, Congresso Nacional. O que acham sobre os outrora inimigos Lula e Collor, Renan com seus afãs, da roubalheira, dos mandos e desmandos de nossos governantes. Lula está com Fernando Color e não abre. Esqueceu o passado, Operação Uruguai, FIAT Elba, confisco da poupança e ouras “cositas mas”.
Sua excelência o presidente como fez o cancioneiro popular Gilberto Gil do alto do palanque nas Alagoas de tradição e tanta corrupção mandou aquele abraço pro Collor e pro Renan e ainda agradeceu ao que ambos têm feito para o governo, leia-se seu Lula. Pois é meu povo, tudo mudou e todos mudaram, só uma pergunta: eles ficaram melhor ou o Lula piorou? Nunca imaginaríamos uma cena como essa: Lula aos beijos e abraços com Collor de Mello e ainda agradecendo em público. A língua inglesa tem uma expressão que diz: Politics Make Strange Bad Felows (a Política Faz Estranhos Companheiros). Os pecados de Collor pertencem ao passado e os de Lula ao presente, mas o coronelismo permanece vivo e latente na política brasileira. Com o apoio do povo, a popularidade em alta, São Lula tudo pode, afinal ele faz lembrar Jesus: pobre, barbudo e cercado de ladrões. Alô Vaticano canonizem o homem, (em tempo) “pobre”, entre aspas né?
Lula faz tudo isso porque cansou de perder e agora é aquela coisa, já que estou no inferno beijarei o capeta. Enquanto isso o povo queima no caldeirão de Belzebu, xiiiiiiii isso dá rima e das boas, Belzebu rima com.......... Bem, deixemos para lá.
Uma coisa é certa, Sarney, Lula, Renan e Collor estão como os personagens de Alexandre Dumas: “um por todos, todos por um”. Só falta a capa, pois as máscaras eles já têm e a espada está fincada no coração do povo. Por isso meu amigos, recordem dessa frase que nos ensinaram na infância: “nunca cuspa para cima que lhe cai na cara” e tampouco diga: “desta água não beberei”. Lula, Collor e Renan bebem da mesma água, enquanto o povo que outrora acreditou no sonho do líder metalúrgico está com sede de justiça, credibilidade, transparência e já que estamos no ano França/Brasil o povo pergunta: “cadê a igualdade, liberdade e fraternidade para o povo brasileiro?
O farol abriu e o guarda manso fez sinal para eu seguir em frente. Façamos o mesmo, sigamos em frente segurando nas mãos de Deus.

Um comentário:

Anônimo disse...

Parabéns! É raro hoje em dia alguém ter uma visão como esta e manter-se lúcido.
Porém, muito cuidado, porque você pode ser criticado por muitos e chamado de louco.
Marcelo "Campista"