terça-feira, 7 de julho de 2009

Nos confins do Brasil

Texto publicado na edicao de 10 de junho doBrazilian Press

Nos confins do Brasil

Discípulo de São Tomé, sempre escuto os imigrantes dos EUA e brasileiros que nunca saíram da terra natal falarem mal do Brasil. Modéstia à parte conheço 80% do território nacional, nosso povo e nossas mazelas sociais.
Resolvi dar uma de São Tomé e fui ver a atual realidade do nosso país, do nosso povo, da gente de casta da sociedade e dos “dalits” brasileiros, os favelados das grandes e médias cidades do nosso país. Estou na quarta capital, entre elas a federal terra do poder, a Brasília de todos nós. Com sua gente de terno e favelados, a cidade caminha à passos largos rumo a um futuro de glória em terra Brasilis. A linda Belo Horizonte continua linda com sua brejeirice de cidade grande, seus barzinhos de boêmios e poetas é tudo de bom na terra de Drummond, no leste do estado de molevade, a Valadares. O ar puro das Gerais recicla nossos pulmões e por trás das montanhas o povo espera uma nova era. A pequena e aconchegante Alvinópolis, com sua gente meiga e simples nos emocionou com histórias de vida e dedicação ao ser humano. Levo comigo a certeza de que quanto mais te conhecemos não esqueceremos jamais a terra do “uai”, do leite e do queijo, das montanhas e dos vales. A bela, caipira e desconfiada Minas Gerais, da lajinha e do Jequitinhonha, de um povo orgulhoso, jeitoso e hospitaleiro, a essência do ser brasileiro.
São Paulo da garoa com a força da grana que destrói coisas belas. O corre-corre da metrópole, o executivo apressado, o motoboy tresloucado. São Paulo de Guarulhos, da Cumbica, terra em que todos passam e poucos ficam na correria do vôo, da conexão. São Paulo é a locomotiva que puxa a imensa nação, orgulho de brasileiros dos mais longínquos rincões.
Ceará de Iracema, terra de José de Alencar, cidade do sol, das praias e do mar, dos humoristas que nos fazem rir espantando todo o mal. De Quixadá a Sobral é sol e alegria que contagia. Terra do forró que invadiu o Brasil.. Muita coisa mudou no Brasil e mudou para melhor. Caminhando por nossos rincões, convivendo com o povo da terra Brasilis, a cada vez sinto que o nosso país é o melhor lugar do mundo para se viver. Mesmo com todos os problemas existentes, o povo carrega na face e no coração a alegria de viver. Gente humilde, ordeira e trabalhadora, um povo hospitaleiro temente a Deus com uma fé imensurável na força e no poder do criador. Nestas andanças por nossos rincões, do caipira das Gerais aos caboclos do nordeste, a certeza de que nossa Pátria amada mãe gentil é a terra prometida, a terra para onde todos nós sonhamos um dia regressar.
Baseado no que estou vendo e sentindo, das favelas às mansões, podemos dizer sem medo de errar àquele que desejar voltar: que o faça de coração e peito abertos. Não tema a incerteza do futuro na terra que o viu nascer. Por mais dólares que tenha no bolso uma coisa é fato: é grande a lacuna entre viver e sobreviver.

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