sexta-feira, 3 de abril de 2009

BARRAQUEIROS E MILITANTES

Publicado no, B.Press edicao de Quarta Feira 1 de Abril de 2009


BARRAQUEIROS E MILITANTES


Francisco Sampa

O brasileiro adora reclamar de tudo e todos até de Deus reclamam. Reclama na fila do banco, no ponto do ônibus, dos preços altos, da corrupção "desde que não tire vantagem da mesma", se tirar tudo bem. Reclamam dos pastores, eu que o diga, dos padres, do patrão, do empregado, dos clientes e vice-versa. Para todo lado tem gente reclamando. A insatisfação é geral, ampla e irrestrita. Todo mundo abre a boca e diz: eu tenho direito, mas poucos são os que dizem: eu cumpro com meus deveres. Esquecem que na vida tudo são dois dês: deveres e direitos, sempre nesta ordem, no entanto nós, pois eu também me incluo na lista dos apedrejadores, só queremos saber dos nossos direitos, os deveres que cumpram o governo, os patrões e os demais.Adoramos fazer um barraco. Estamos mais para barraqueiros do que para militantes. Todo militante é visto como um agitador subversivo e aproveitador, muitos ficam na moita esperando a coisa acontecer. Se der certo tô dentro. Se der errado o militante fez merda.É assim aqui e no Brasil não é diferente. Quando foi época do protesto do primeiro de maio de 2008, ninguém saiu da moita para engrossar as fileiras de ilegais que clamavam por uma nova lei de legalização, porém todos queriam e querem colher nesta seara, entretanto dar as caras, nem pensar. É sempre assim em qualquer movimento. Foi assim com Tiradentes na Inconfidência Mineira, na Revolução Farroupilha, na Regência Trina em 1840, na Proclamação da República, na Revolução Constitucionalista de 1930, da Nova República. Foi assim no fatídico golpe militar de 31 de marco de 64, onde muita gente partiu num rabo de foguete e outros sumiram nos porões da ditadura do AI 5 de 68. Hoje respira-se liberdade e democracia, mas com cheiro de sangue de inocentes no ar. Na história e na comunidade é tudo igual. Poucos lutando pelos interesses de muitos.O caso do Brazilian Wax é um típico caso de discriminação contra o Brasil e os brasileiros e mostra a falta de militância da comunidade numa questão que pode vir atingir a todos: patrões, clientes e funcionários. Contudo, como é de praxe, o povo não está nem aí, afinal o fogo é na casa do vizinho e o meu telhado é de laje. Por medo ou por covardia os principais interessados não se manifestaram, não marcaram presença, mas na hora em que a porca torcer o rabo, a gritaria será geral e uma coisa é certa só gritaremos depois do leite derramado. É hora de sermos militantes para depois não virarmos barraqueiros e ficarmos lamentando a batalha perdida. Sigamos os exemplos dos grandes, é o lema deste país em que vivemos: "united we stand", unidos ficaremos de pé, desunidos nunca venceremos batalhas e conquistaremos metas e objetivos. Seremos eternos barraqueiros lamuriadores das filas e dos botecos. Vamos militar mais e reclamar menos. Apalavra de ordem é reivindicar e conquistar direitos cumprindo os deveres com menos barraco e mais militância.

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