quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

1 Renan e 40 Calheiros

1 Renan e 40 Calheiros

Francisco Sampa


Cassaram o Collor, aquele que, segundo ele era roxo. Roxos ficam nós, o povo, de raiva e vergonha. Para alegria geral do povo e felicidade geral da nação achávamos que estava tudo resolvido, que a partir daquela data o Brasil seria um outro país. Acabariam-se as roubalheiras e outras mutretas mais.

15 anos se passaram e nada mudou. Mudaram os golpes e as nomenclaturas, agora são os mensaleiros e sanguessugas. Juiz rouba, delegado também, vereador, deputado e senador, ministro, governador, todos roubam unidos ou não. Uma coisa e certa: o povo também é culpado, afinal estudante que paga pau para passar no vestibular é o quê?

Quando ouviram do Ipiranga o brado retumbante, com certeza esse brado era o popular “pega ladrãoooooo!”, mas o povo continuou deitado no berço esplêndido, sob o sol às margens plácidas do profundo mar de lama que navega a nau da pátria amada mãe gentil.

A salvação de Calheiros por si só já é um absurdo, mas pior ainda foi a forma como esta votação aconteceu: em uma sessão fechada, com votos secretos. Secretos porquê, caras-pálidas? Nós, os eleitores, temos o direito ao voto secreto, para nos protegermos contra pressões e influências. Mas os senadores, não: eles foram eleitos pelo povo e são homens públicos, têm a obrigação de prestar contas à sociedade. Se o Senado contrariou a vontade da população de ver a cassação do mandato de Calheiros por quebra de decoro, ao menos queremos saber quais foram os responsáveis por este vergonhoso resultado.

Acorda povo, nós também somos responsáveis pelo destino do nosso país, afinal quem escolhe, os representantes do povo são escolhidos por este povo que vende seu voto, por uma camiseta, uma lata de óleo e um vale refeição. Há a promessa de que dias melhores virão, mas eles só chegam para os aliados parentes e cúmplices da corja de maus políticos, ladrões de sonhos do povo.

É hora de acordarmos, bradarmos com a força de nossas entranhas, chegaaaaaaaaaaaa... Quero acreditar na justiça dos homens do meu país, pois sei que a dos céus virá... Mas talvez eu não esteja vivo para contemplar a absolvição do senador Calheiros, ex-aliado de Collor e um dos comandantes da tropa de choque que o defendeu a 15 anos atrás. Significa que nada mudou, e, assim como diz o ditado popular: “um cachorro cheira o outro”, os 40 Calheiros absolveram o Renan Babá.

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