terça-feira, 2 de dezembro de 2008

A SERPENTE E O VAGALUME

FRANCISCO SAMPA


Conta a lenda que certo dia um vagalume voava a esmo pela floresta. Eis que de repente foi visto por uma serpente, uma das mais rápidas e venenosas, uma espécie rara: era a “serpentusbrasiliscomunitus". Uma espécie que nasce entre os Trópicos de Câncer e o de Capricórnio. Umas à beira a mar e outras no Planalto Central. Vivem muitos anos e depois do desaquecimento econômico, nada a ver com o global, esses répteis começam a emigrar para outras terras em busca de novas presas. É de fácil adaptação. Se encontrar sombra , água, fresca e mordomias cresce com grande facilidade. Sempre pensam e agem na intenção de voltar ao ninho e umas ao covil. Picam com classe, afinal são raras, protegidas até pelo IBAMA.
O mundo está infestado de serpentes, mas as da nossa comunidade são raras, pois são amigas, companheiras e o que é mais raro, têm a mesma origem que os vagalumes, um caso raro e único na natureza. Nem o mais experiente cientista consegue decifrar este caso único na zoologia. A nossa "serpentebraziliscomunitus" habita todas as camadas da sociedade. Umas têm muitas escadas e martelos. Outras, muitos aspiradores. Umas com muitas mesas, facas e garfos, todas se dizem honestas, senhores e senhoras da razão, mas todas têm em comum o dom da exploração. Exploram com preços exorbitantes. Exploram a mão-de-obra com míseros salários. Se aproveitam da situação. Falam mal de tudo e de todos.
Segundo a Bíblia, deve-se pagar o salário justo e honesto, antes que o suor seque da testa do trabalhador. Fato cada vez mais raro no serpentuário e agora a culpa é da crise. Valei-nos Santo Obama, pois está cada dia mais difícil ganhar e receber o pão, quem pode dizer são os vagalumes da construção.
Segundo a nossa filosofia “lajineana” e a filosofa da lajinha "cavalo bom cerca boi na hora" e está cada dia mais dificil encontar bons cavalos e cavaleiros. VIPS de plantão, serpentes aos montes de todo tipo: as faladoras e as exploradoras, ambas espécies causam estrago no bolso e na alma de pobres e inocentes vagalumes que seguem voando no serpentuário feitos pirilampos a vagar em noite de luar, com um brilho intenso, piscando e iluminando a noite com seu solitário brilho. Brilho este que incomoda os rastejantes, fortes e venenosos répteis.
Lenda ou realidade, o nosso vagalume que voava, segue voando, sonhando e iluminando. É o brilho na escuridão da noite, o farol que indica o caminho a seguir. A "serpentebraisiliscomunitus", seguirá perseguindo os vagalumes e no dia em que ele parar e lhe fizer as seguintes perguntas: 1) olha dona “serpentebrasiliscomunitus” Eu já lhe fiz algum mal?? 2) Eu pertenço à sua cadeia alimentar??? 3) por que a senhora quer me devorar???. Sabem qual será a resposta do perigoso e venenoso réptil? “ Você nunca me fez mal. Não faz parte de minha cadeia alimentar, mas eu não suporto ver você livre, leve e solto, brilhando pela floresta, enquanto eu vivo a rastejar. Sou mais forte e venenosa, tenho mais poder, mas só você brilha na floresta e este brilho se ao vê longe. Como pode uma coisa insignificante feito você brilhar tanto e chamar a atenção de todos?? Um dia eu te devorarei...”
Até este dia chegar meus amigos vagalumes, continuaremos brilhando no serpentuário, porque as serpentes, por mais fortes e poderosas que possam ser foram designadas por Deus para passar a vida rastejando.
A todos uma boa semana e lembrem-se: cobra se pisa na cabeça, nunca no rabo.

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