Não permita Deus que eu morra sem que volte para lá
Francisco Sampa
A crise econômica e a crise financeira são parecidas como irmãs gêmeas, mas não são iguais. De um lado os burros, do outro os elefantes, no meio o povo sofrido e perturbado com as contas, a hipoteca, o custo de vida, o preço do petróleo, do pão, do óleo, do arroz e do feijão.
Cada dia que passa, a vida do povo está ficando mais complicada. Nesta terra de neves, parques e oportunidades estamos na estação das farturas. Como dizem os caboclos lá do meu bodocó “farta tudo". Pois é amigos está faltando tudo: falta trabalho, coerência e decência de patrões exploradores, donos de casa sem escrúpulos, senhores feudais da era cibernética. A cada dia que passa mais compatriotas perdem a vida vitima do stress que estamos vivendo, a perseguição por tudo e por todos: polícia, imigração, ambição e muitos em busca da salvação material e até espiritual. Hoje temos saudades dos tempos de outrora, quando ao se chegar nesta terra a única preocupação era acordar cedo, trabalhar e pagar as contas.
O tempo mudou, a vida passou e muitos estão ficando neste campo de batalha, onde o fuzil e a esperança, mas vira a mexe temos um corpo estendido no chão na luta pelo pão de cada dia. Onde iremos parar com tanta pressão, à beira de uma recessão que nos acena, a crise, o emprego, a conta no Brasil, o salário não recebido, a briga com o marido, o filho perdido. Onde vamos parar nesta nossa busca pelo sonho americano, onde muitos têm entrado e não saído do cano?
Queira Deus surja uma luz no fim deste túnel e que esta luz não seja um trem em sentido contrário, pois a cada dia um novo fim se anuncia. Mas o único que temos visto é o fim da vida de muitos imigrantes que estão perdendo seu bem maior: a vida que Deus nos deu. É grande o número de jovens brasileiros que por aqui estão ficando, vítimas de ataques do coração. Um caso a se pensar. É preocupante, jovens de 34 a 40 anos com ataques fulminantes. O coração brasileiro pára com tanta pressão. Uns são vítimas do trabalho, outros da própria ambição, mas uma coisa é certa, nosso povo está morrendo, é um preço muito alto meus amigos, pagar com a própria vida o desejo de melhorar, de ter algo, ser alguém, ter alguma coisa.
E agora, como disse o poeta: “e agora José ? A festa acabou. A fome
não veio. O rio secou. A festa acabou, porque no meio do caminho tem uma pedra...tem uma pedra no meio do caminho, mas a vida continua José. Tá lá o rio doce, a morena dos seios fartos, o Ibituruna, o vale doce e o doce do rio. As montanhas das gerais, o quiabo e o frango solto no quintal. O Paulinho e a pedra azul. O vale e o Jequitinhonha. O Teófilo e o Otoni. O Poço e as Caldas. O Juiz e o de Fora. O Rio e o Janeiro. O São e o Paulo. A perna e o buço. O para e o na. O bra e o sil. Todos à nossa espera. O pai e a mãe. Os amigos da rua, tudo que ficou para traz. Não devemos esquecer, nossa terra tem palmeiras onde canta o sabiá. Não permita Deus que morramos sem voltarmos para lá”.
quinta-feira, 23 de outubro de 2008
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Um comentário:
Sampa,
Parabens pelo texto isso que vc escreveu aqui e a maior e pura verdade........
Abs
Fabio
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