FRANCISCO SAMPA
"Todo mundo é prisioneiro de sua própria experiência. Ninguém elimina preconceitos- Apenas os reconhece".Esta frase é do jornalista, correspondente de guerra, âncora da Rede CBS,respeitado como um dos mais notáveis jornalistas do século xx Ed Murrow. Dita por um cidadão estanudinense, tem um peso muito grande, afinal, no quesito preconceito eles dominam com maestria este assunto. Vivemos numa época de rótulos e marketing e do politicamente correto, coisas de uma era globalizada por dois extremos: os que estão por cima e os que estão por baixo. Os ricos dos E.U.A e do G 8 são iguais aos ricos do Brasil, da Nigéria, da Nicarágua e da Rússia.
Os pobres daqui são iguais aos pobres e miseráveis vítimas da seca do Nordeste, do Vale do Jequitinhonha e do tufão de Bangladesh, a diferença está no meio. O indivíduo pode subir para a classe dos ricos, onde todos querem estar, mas tem boas chances de cair para a classe dos pobres e miseráveis. Ainda mais em tempo de crise como a que estamos vivendo, afinal, a lei da gravidade atua em todos os campos e classes e na maioria das vezes o que balança cai.
Há alguns anos, o título desta opinião poderia ser simplesmente "O samba do crioulo doido", mais em tempos da novela “Duas Caras” e do politicamente correto, batizamos com o titulo acima. O preconceito está em todas as partes e classes, não é uma questão de nível cultural, já nasce com os seres humanos, sabem por quê? Se fosse uma questão de nível cultural e educacional, só pobre e analfabeto seriam preconceituosos. Nós, os brasileiros, por mais que digamos o contrario, estamos entre os mais preconceituosos do mundo, mas como bom cabrito não berra, morreremos negando. Negros e Nordestinos que vivem nas regiões Sul e Sudeste do país já viram ou ouviram algum comentário ou uma cena preconceituosa contra uma dessas pessoas.
Aqui nos E.U.A, contaminados por osmose, vira e mexe, ouve-se frases como “É coisa de hispano, tinha que ser de Valadares”. Ou então: “Eu sou mineiro, mas sou de Valadares, não tenho nada contra os pretos no Brasil, mas aqui...” “Só podia ser português...” “Sou paulista meu! Mas bah, tchê, eu sou neto de alemão... tenho descendência européia”.
Por trás de algum eufemismo escondido nestas frases está o preconceito. Depois da publicação do Código Genoma, está provado que a raça é uma só (a humana), não importa se a cor da pele é branca, amarela, vermelha ou negra; o que muda são apenas as características externas. Assim como os carros: muda as marcas, as cores, a potência, mas carro é carro em qualquer parte do planeta, novo ou velho. Mesmo assim, um percentual dos seres humanos é preconceituoso. Na década de 30, um certo homem que tinha esse pensamento, chamado Adolf, quis criar uma raça pura e pretendia dizimar todos os judeus e negros... Mas se deu mal. Segundo matéria publicada na revista Veja, salvo erro com uma capa toda negra, dizia que boa parte da população brasileira é racista e preconceituosa. Lá o preconceito é geral, não se restringe apenas à questões de raça. Com marca da roupa, salário, cabelo e outras cositas mais.
Uma das discriminações mais comuns, e que todos acham normal, é a frase cabelo "ruim". Cabelo é cabelo, tem características típicas de cada ser e da miscigenação entre eles, onde predominam fatores genéticos. Bom e ruim é questão de qualidade, guardamos o que bom é e o que é ruim jogamos fora.
No Brasil empregada doméstica que trabalha em prédio de rico, quando chega no trabalho entra pela porta dos fundos, elevador de serviço, mas quando saem para passear com o filho do bacana no caso das babás, o rebento que a acompanha é o salvo conduto para a babá usar saída e elevador social: é o upgrade sócio-elevativo.
Ser negro para boa parte das pessoas é sinônimo de ser descendente de escravos, mas é bom recordar que a maior escravidão vem desde os tempos dos romanos e seu grande império, muito antes da época de Cristo, os escravos eram brancos... A Bíblia e os filmes de época estao aí para comprovarem tal fato. A escravidão negra começou após os descobrimentos e não durou 300 anos. Cleópatra, a poderosa do Egito, tinha escravos na sua maioria brancos, assim como os imperadores e os senhores da Roma antiga. Um dos três reis magos era negro, Baltazar, se fosse nos dias de hoje o chamariamos de: “Vossa Alteza Afrodescendente Baltazar”. Pois bem aos, “Barretões” de plantão é bom que não se esqueçam: a raça e uma só (a humana ),mesmo que muitos pensem e creiam o contrário, inclusive a própria população negra brasileira não assume sua negritude e se auto denominam moreno claro, moreno jambo,cor do pecado,pessoas de cor, escurinho e outros eufemismo,quando seria muito mais fácil e simples dizer: “Eu sou negro”.
O Brasil está entre os três paises com a maior população de negros do mundo junto com os E.U.A e a Nigéria, mas mesmo assim precisamos de leis como a extinta Afonso Arinos, e outras atualizadas para que nossos negros, sejam respeitados nos seus direitos constitucionais, nas forças armadas brasileiras, a titulo de ilustração, no generalato não existia até pouco tempo um negro ou afro descendente com a patente de General,Brigadeiro ou Almirante.
Neste mês de novembro no Brasil, precisamente no dia 20, no Brasil é celebrado o mês da consciência negra, mês em que o líder Negro Zumbi dos Palmares junto com os seus pares foi dizimado pelo bandeirante Português Domingos Jorge Velho, que após um ano viajando a pé de São Paulo até Alagoas e numa sangrenta carnificina, acabou com a vida do fundador do quilombo e interrompeu por alguns anos o sonho de liberdade dos negros escravos, liberdade que foi criada para todos os seres humanos ou não.
Liberdade não é estar livre e solto nas ruas, e prisão não é esta atrás das grades. A liberdade esta na mente e no coração dos seres, você que tem seu corpo preso neste país, por falta de um green card, solte sua imaginação e voe para o lugar dos seus sonhos... Viu como é fácil seu corpo está preso aqui... Mas sua mente é livre, e falando em consciência... Que papo é este de consciência negra? Consciência tem cor? Se tem a minha é diferente, e assim como a água, insípida, inodora e incolor. Na Bahia tem grupos de afoxé que só podem ser freqüentados por negros, isso não é racismo ao contrário? ou preconceito inverso?
Pois é... Cada vez mais eu fico atônito com esses rótulos impostos pelos marqueteiros de plantão. Estou à beira de ataque sei lá do que, antes eu era criolo, depois virei negão, já me chamaram até de escurinho nestes 50 anos de vida, 35 dos quais com essa cabeleira branca... São tantos os nomes que já estou em dúvida de todas as nomenclaturas que me rodeiam e com medo de ser politicamente incorreto. Segundo a oposição e um conterrâneo da minha querida Recife, eu sou mais grosso que papel de embrulhar prego. Portanto, até o fim da novela, eu e todos os brothers exigimos ser tratados de
"Afrodescendentes".
Ah, e só para lembrar: eu avisei, este texto é um autentico Samba do Criolo Doido, Ops, AFRO-DESCENDENTE.
domingo, 13 de abril de 2008
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